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Venezuela: Um país em efervescência um ano depois da Constituinte
Sociedade 30 jul, 2018, 18:41

Venezuela: Um país em efervescência um ano depois da Constituinte

Um ano depois de constituída a Assembleia Constituinte, a Venezuela deixou de ser palco de grandes manifestações contra o Governo de Nicolás Maduro, mas o país permanece em efervescência com dezenas de protestos diários.

Estes protestos, que ocorrem por todo o país, surgem agora de maneira praticamente espontânea, com a população a reclamar respostas para os problemas de atenção hospital, para os baixos salários, para a falta de transporte, de água, de gás, de eletricidade, mas também contra a hiperinflação que faz subir todos os dias os preços dos produtos, inclusive dos mais básicos.

"A oposição está ‘apagada’, depois de ter apelado à abstenção nos últimos processos eleitorais e de terem fracassado as tentativas de dialogar com o Governo. Os políticos opositores estão calados e perderam credibilidade", explicou uma luso-descendente à Agência Lusa.

Reyna Santos, 30 anos, odontóloga, explica que estas manifestações espontâneas visam ultrapassar a pressão das autoridades, que têm proibido pedidos formais para realizar protestos.

Segundo o Observatório Venezuelano de Violência (OVV), no primeiro semestre de 2018 ocorreram 5.315 protestos no país, mais que os 4.930 registados no mesmo período do ano anterior, em que a população saiu às ruas para defender o parlamento (de maioria opositora) dos ataques do Supremo Tribunal de Justiça, que os oposicionistas atribuem a ordens do Chefe de Estado.

Os analistas acreditam que a intensificação da crise fará aumentar rapidamente, no segundo semestre de 2018, os protestos espontâneos, superando as 9.000 manifestações programadas que ocorreram ao longo de 2017.

Em “cada dia, ocorrem 30 protestos na Venezuela e oito de cada dez têm que ver com direitos sociais. O aumento dos preços (dos produtos e serviços), a escassez e falta de abastecimento de alimentos, a crise dos serviços e do sistema de saúde, e agora os baixos salários são os principais motivos", explicou aos jornalistas o coordenador do OVV, Marco António Ponce.

Nas últimas semanas os reformados protestaram junto de várias agências dos bancos para reclamar por terem recebido as reformas incompletas e porque os bancos, devido à alta escassez de bilhetes no país, limitam os levantamentos.

Mas também os empregados da empresa estatal Corporação Elétrica (Corpoelec) da Venezuela, da estatal Companhia Anónima Telefones da Venezuela (Cantv), protestaram pela falta de investimento no setor e para exigir melhores salários.

Enquanto isso várias estradas de Caracas foram bloqueadas por cidadãos que reclamavam pelos constantes apagões elétricos e pela cada vez mais frequente falta de água.

Por outro lado, venezuelanos que sofrem de doenças crónicas como o Parkinson saíram para as ruas em protesto contra a falta de medicamentos.

A maioria dos protestos são ignorados pela imprensa venezuelana, situação que alguns venezuelanos atribuem a pressões do Governo sobre os meios de comunicação social e sobre os jornalistas.

C/ LUSA

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