Gustavo Cardoso foi hoje um dos oradores na conferência “Inteligência Artificial, Democracia e Eleições”, realizada na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, no âmbito do 50.º aniversário da Comissão Nacional de Eleições (CNE).
Em declarações à Lusa, no final do evento, onde abordou as eleições e a manipulação da informação, Gustavo Cardoso sublinhou que “a desinformação cria dúvida”.
E “também aumenta as nossas certezas sobre coisas erradas que nós já achamos, por isso ela é perigosa, mas ela não nos hipnotiza, portanto não nos obriga a fazer coisas ao contrário daquelas que nós queremos”, prosseguiu.
Mas “se os decisores políticos entendem que ela nos hipnotiza, então está legitimado” o caminho para “a autocracia dizer assim: estas eleições não servem porque as pessoas não pensaram bem”, apontou, aludindo ao que se passou nas eleições romenas.
O Tribunal Constitucional romeno anulou as eleições de 06 de dezembro, 48 horas antes da segunda volta, para a qual Georgescu era favorito, por suspeita de interferência de um ‘agente de um Estado estrangeiro’, em referência à Rússia, e de irregularidades no financiamento da campanha.
O candidato de extrema-direita Calin Georgescu saiu inesperadamente na frente na sondagem com mais de 20% dos votos, fazendo campanha sobretudo na plataforma TikTok.
Posteriormente, as autoridades romenas desclassificaram relatórios do serviço de informações que relatavam “manipulação observada no TikTok e o uso secreto de influenciadores para fins de propaganda eleitoral” e a Comissão Europeia anunciou, em meados de dezembro, a abertura de um inquérito contra a rede social suspeita de ter falhado nas suas obrigações.
“Combatemos a desinformação: ela existe porque cria dúvida na mente ou porque as obriga a fazer certas coisas, a discussão é essa”, sublinhou o investigador do ISCTE.
“Precisamos perceber o que é que a desinformação nos faz efetivamente”, rematou Gustavo Cardoso.
Na sua intervenção, o investigador apontou que o “grande problema” não está centrado na tecnologia, mas nas pessoas, referindo ainda que a inteligência artificial (IA) é utilizada quer em contexto eleitoral, quer fora dele.
“Para a inteligência artificial funcionar” de modo a violar o que se considera ser as normas necessárias para um bom processo eleitoral “é necessário que haja pessoas que façam uso dela”, recordou o investigador.
Ou seja, são necessárias pessoas e ferramentas (como a IA) para atingir os objetivos que se propõem.
Lusa