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OMS foi alertada para nova variante na África do Sul
Sociedade 25 nov, 2021, 14:18

OMS foi alertada para nova variante na África do Sul

A Organização Mundial da Saúde (OMS) foi alertada para a «ocorrência de uma nova variante de covid-19» na África do Sul e Botsuana, com «elevado número de mutações», anunciou hoje a diretora da OMS para África, Matshidiso Moeti.

“Fomos alertados ontem (quarta-feira) para a ocorrência de uma nova variante de covid-19, que a OMS classifica como variante em monitorização, a B11.529, acerca da qual precisamos de obter mais informação”, indicou a responsável na conferência de imprensa semanal da organização através da internet.

Moeti destacou que “é importante saber até que ponto esta variante se encontra em circulação na África do Sul e no Botsuana” e que a organização está igualmente muito atenta ao que se conseguir saber sobre as “características deste vírus”, que está agora no centro das preocupações dos laboratórios de análise e investigação dos daqueles países.

“Há uma preocupação de que apresenta um elevado número de mutações na proteína ‘spike’ (usada pelo coronavírus para entrar nas células), que poderá ter implicação no seu grau de infecciosidade”, acentuou Moeti.

“Isto significa que todas as medidas colocadas no terreno têm de ser reforçadas, incluindo a aceleração da vacinação, em particular das populações mais vulneráveis”, rematou.

A diretora da OMS afirmou que o número de novos casos de infeção se tem mantido relativamente estável nas últimas duas semanas, mas “África tem que manter o nível de alerta, à medida que vemos o aumento dos casos na Europa”.

“Vamos voltar a entrar num período de maior deslocação da população com as festas do Natal e fim do ano, que originou um aumento de casos de infeção em dezembro último”, recordou.

Por outro lado, chamou a atenção, “estamos já a assistir a um aumento de novos casos na África Austral, com um aumento de 48% de novos casos de infeção na última semana, em comparação com a semana anterior”.

Esta tendência sucede a um período de 18 semanas de declínio sustentado de novos casos, com uma ligeira curva ascende apenas na África do Sul.

“Sabemos que a vacina é a nossa melhor proteção, mas enquanto muitos países desenvolvidos apresentam taxas de vacinação na ordem dos 60%, apenas pouco mais de 7% da população africana se encontra com a vacinação completa, apesar do aumento recente da receção de vacinas pelo continente”, voltou a sublinhar a responsável.

A conferência de imprensa desta semana teve como foco o estado de vacinação entre os profissionais de saúde no continente, a grande maioria dos quais não se encontra vacinada, estando, por conseguinte, exposta à infeção severa de covid-19. “Isto coloca em causa não apenas a saúde destes funcionários como dos pacientes ao seu cuidado”, sublinhou Moeti.

Os dados da OMS, com base em informação recolhida em 25 países africanos, apontam para que apenas pouco mais de 1 em 4 funcionários de saúde (27%) estão totalmente protegidos. Este número compara com uma taxa de proteção acima dos 80% no caso dos funcionários de saúde em países com economias mais desenvolvidas, ilustrou a diretora regional da OMS.

“À medida que o continente ultrapassa os constrangimentos no acesso às vacinas, é crucial que estes problemas sejam solucionados”, sublinhou.

O mau registo na vacinação dos funcionários de saúde é parcialmente atribuído ao mau funcionamento dos sistemas, em especial nas áreas rurais.

“A desconfiança em relação às vacinas é também um desafio a ultrapassar. Estudos recentes concluíram que apenas 40% dos funcionários de saúde tinham a intenção de ser vacinados no Gana, e menos de 50% na Etiópia”, exemplificou Matshidiso Moeti.

A preocupação sobre a segurança das vacinas e sobre os efeitos secundários foram identificadas como as principais razões de hesitação.
C/Lusa

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