“Em consonância com o cessar-fogo no Líbano, declara-se totalmente aberta a passagem de todos os navios mercantes pelo estreito de Ormuz durante o resto do período de cessar-fogo”, afirmou Abbas Araghchi numa mensagem nas redes sociais, na qual indicou que os navios seguirão a rota “coordenada e já anunciada” com a Organização Portuária e Marítima iraniana.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, também confirmou a reabertura da passagem marítima.
“O Irão acaba de anunciar que o estreito de Ormuz está totalmente aberto e pronto para a passagem livre. Obrigado!”, escreveu o republicano na rede social Truth Social.
Contudo, o Presidente norte-americano confirmou que o bloqueio naval dos Estados Unidos vai continuar aos navios e portos iranianos.
“O estreito de Ormuz está totalmente aberto e pronto para o comércio e ao trânsito livre, mas o bloqueio naval permanecerá em pleno vigor e efeito, apenas no que diz respeito ao Irão, até que transação com o Irão esteja 100% concluída”, escreveu Trump numa segunda publicação.
Ainda assim, o republicano acrescentou que “este processo deve decorrer muito rapidamente, uma vez que a maioria dos pontos já foi negociada”.
O anúncio da reabertura do estreito de Ormuz surge após o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano ter rejeitado um acordo para um cessar-fogo temporário com Washington, argumentando que a posição de Teerão é de um fim definitivo da guerra em toda a região.
Donald Trump, anunciou na quinta-feira uma trégua de dez dias entre Beirute e Telavive que abrange o grupo xiita pró-iraniano Hezbollah, afirmando-se confiante de que o grupo aliado do Irão respeitará a trégua.
Pouco antes da declaração de Trump à comunicação social, o Hezbollah tinha garantido que irá respeitar o cessar-fogo, em vigor desde a meia-noite local (22:00 de quinta-feira em Lisboa), se Israel suspender totalmente as hostilidades.
Segundo os termos acordados pelos dois países em guerra desde 2 de março, durante os dez dias de cessar-fogo, o Líbano e Israel deverão negociar um plano mais pormenorizado para alcançar uma paz duradoura.
Na mesma ocasião, o líder norte-americano disse à imprensa na Casa Branca que esperava que estivesse para breve um acordo entre Teerão e Washington, acrescentando que o Irão concordou em entregar o seu urânio enriquecido, uma das exigências dos Estados Unidos para chegar a um acordo.
“Estamos a ir muito bem [nas negociações]. Posso dizer-vos que, talvez, [um acordo] se concretize antes disso. Não tenho a certeza de que seja necessário prolongar [a trégua]”, afirmou quando questionado sobre se a sua administração contempla a possibilidade de prorrogar o cessar-fogo em vigor desde 8 de abril.
“O Irão quer chegar a um acordo e estamos a lidar com eles de forma muito cordial. Temos de garantir que não haja armas nucleares e, se o conseguirmos, será um fator determinante. E eles estão dispostos a fazer hoje coisas que não estavam dispostos a fazer há dois meses”, acrescentou.
Trump admitiu mesmo viajar até ao Paquistão caso se chegue a um acordo de paz e o tratado resultante seja assinado nesse país que tem mediado as conversas entre os beligerantes, elogiando também os esforços de mediação desse país.
Lusa