“O Conselho de Administração vai propor um aumento de 10% no dividendo por ação para 2026. Isto eleva o valor para 70 cêntimos”, afirmou hoje a co-presidente executiva (co-CEO) da petrolífera, Maria João Carioca, durante uma ‘conference call’ com analistas, acrescentando que o primeiro pagamento intercalar ocorrerá em agosto.
Adicionalmente, a co-CEO anunciou uma revisão em alta do resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortizações (EBITDA) e do ‘cash flow’ operacional previstos para o exercício em curso, que passam a ser de 4.000 e 3.000 milhões de euros, respetivamente, contra os anteriormente previstos 2.600 e 2.000 milhões de euros.
Segundo salientou, estas decisões “refletem não só os sólidos resultados alcançados até ao momento em 2026, mas também a confiança do Conselho de Administração na resiliência e na qualidade da carteira da Galp ao longo do ciclo”.
A contribuir para este otimismo está a evolução do preço do barril de petróleo Brent, que na projeção inicial da Galp para este ano, prévia ao início do conflito no Médio Oriente, era de 60 dólares, mas se fixa atualmente nos 80 dólares e, para o segundo semestre, se situa nos 70 dólares por barril.
Adicionalmente, a Galp aponta agora para uma produção petrolífera mais forte, estimada em cerca de 130.000 barris por dia, e para uma “contribuição robusta e contínua do segmento de refinação”, com as respetivas margens a aumentarem para os 13 dólares por barril, muito acima das anteriores previsões de 5,5 dólares por barril.
Relativamente ao acordo de fusão dos negócios de refinação e comercialização entre a Galp e a Moeve, que se prevê que esteja concluído no segundo semestre deste ano, a petrolífera portuguesa indicou apenas que “as discussões avançam de forma construtiva”, existindo “um forte alinhamento” com os acionistas da empresa espanhola.
“É uma transação de criação de valor a longo termo, que no curto prazo não vai ser afetada pelas margens de refinação”, detalhou o co-CEO da Galp João Marques da Silva, acrescentando que “as discussões estão a progredir bem”, mas é uma operação “complexa”.
“Ao reunir as nossas atividades a jusante, acreditamos que o negócio combinado estará melhor posicionado para gerar valor, aumentar a escala, reforçar a competitividade e consolidar a posição estratégica”, disse, enfatizando que o foco da empresa é garantir que “qualquer transação seja a mais adequada para a Galp e os seus acionistas, proporcionando valor sustentável a longo prazo”.
Relativamente ao futuro, Maria João Carioca salientou que “a expansão do projeto Bacalhau [no Brasil] está em curso” e que “a parceria com a TotalEnergies na Namíbia está a avançar”, estando tudo “a correr conforme o previsto para dar início à próxima campanha de exploração e avaliação em Mopane durante o quarto trimestre”.
No que diz respeito às renováveis, Marques da Silva destacou a aquisição de uma nova carteira de 15 parques eólicos em Espanha, hoje anunciada, como um “passo final na reestruturação do negócio de energias renováveis” da Galp, “transformando-o numa plataforma mais forte e de maior qualidade”.
“A carteira de 361 megawatts, já em pleno funcionamento, vem complementar a aquisição que anunciámos em abril. Isto eleva a nossa capacidade total em energias renováveis para 2,7 gigawatts, com a energia eólica a representar agora cerca de 30% do ‘mix’, e aumenta o nosso EBITDA ‘pro forma’ das energias renováveis para cerca de 110 milhões [de euros] em 2026”, enfatizou.
“Com esta aquisição, a nossa carteira de energias renováveis ganha maior escala, um melhor equilíbrio entre as tecnologias e maior resiliência. Proporciona-nos também mais flexibilidade e opções à medida que avaliamos futuras oportunidades de parceria e estruturas alternativas de propriedade”, acrescentou.
A Galp anunciou hoje um aumento do lucro de 44%, para 812 milhões de euros, no primeiro semestre face ao período homólogo, impulsionado pelo aumento da produção de petróleo no Brasil e da cotação média do Brent.
Lusa