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Doença de Alzheimer tem custos anuais equivalentes a 1% do PIB
Economia 28 set, 2021, 11:20

Doença de Alzheimer tem custos anuais equivalentes a 1% do PIB

A doença de Alzheimer tem custos anuais equivalentes a 01% do PIB, sendo responsável por cerca de 07% dos anos de vida perdidos por morte prematura, para pessoas com 65 ou mais anos, indica um estudo hoje divulgado.

O estudo, “Custo e Carga da Doença de Alzheimer em Portugal”, conduzido pelo Centro de Estudos de Medicina Baseada na Evidência (CEMBE), da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, indica que o impacto nos anos de vida perdidos é superior nas mulheres, 7,6%, enquanto nos homens é de 6,4%.

As conclusões, com o apoio da empresa de biotecnologia Biogen, na área das neurociências, indicam também que o nível dos anos perdidos por incapacidade provocada pela doença está estimado em 45.754, mais de dois terços dos gerados pela aterosclerose.

De acordo com esta investigação, que avalia a presença da patologia numa amostra da população residente em Portugal Continental com idade igual ou superior a 65 anos, o país gasta todos os anos uma média de dois mil milhões de euros (em custos diretos médicos e não médicos) no combate à doença. Só os gastos com cuidadores informais atingem cerca de 1,1 mil milhões de euros.

Os resultados do estudo colocam em perspetiva duas prioridades para Portugal, a primeira “a necessidade de se refletir sobre o papel do cuidador informal e a importância de ter estratégias e políticas públicas que garantam a proteção social e financeira deste grupo”, mas também a importância de “manter o foco na investigação científica e no desenvolvimento de tratamentos capazes de prolongar a qualidade de vida dos doentes”, diz a especialista Isabel Santana, citada no comunicado de divulgação do estudo.

Isabel Santana é professora catedrática da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, onde é diretora do Serviço de Neurologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra e membro do Grupo de Estudos do Envelhecimento Cerebral e Demência.

A Alzheimer Portugal, uma instituição particular de solidariedade social, também citada no comunicado, concorda com a professora e lembra que uma das principais “bandeiras” da associação é “o reconhecimento das demências como uma prioridade nacional de saúde pública e a implementação dos Planos Regionais de Saúde para as demências”, nas palavras de Manuela Morais, presidente da Alzheimer Portugal.

O estudo é hoje apresentado numa iniciativa ‘online’ organizada pela Alzheimer Portugal e que contempla um debate com especialistas.

A Alzheimer é uma doença neurológica progressiva e segundo o estudo do CEMBE deverá haver em Portugal cerca de 194 mil pessoas com demência, dos quais 60 a 80% são casos de doença de Alzheimer (perto de 145 mil).

“À medida que a idade avança, maior é a probabilidade de uma pessoa desenvolver esta patologia, tal como demonstram os dados recolhidos para este estudo, que indicam que a prevalência da doença de Alzheimer se encontra nos 1,76% nos homens entre os 65 e os 69 anos, chegando aos 12,75% naqueles com mais de 80 anos. No caso das mulheres, o grupo entre os 65 e os 69 anos regista uma prevalência de 0,35% da doença de Alzheimer, enquanto a população feminina com mais de 80 anos detém uma prevalência desta patologia de 13,61%”, diz-se no comunicado.

C/Lusa 

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