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Imagem de Venezuela: ONU pronta a enviar ajuda humanitária de emergência se Caracas autorizar
Sociedade 07 fev, 2019, 15:24

Venezuela: ONU pronta a enviar ajuda humanitária de emergência se Caracas autorizar

A ONU está pronta para enviar uma ajuda humanitária de emergência para a Venezuela, pedida pelo autoproclamado Presidente interino, Juan Guaidó, mas alerta que para avançar precisa do consentimento do governo venezuelano, liderado pelo contestado Nicolás Maduro.

“Numa carta, enviada em resposta a Guaidó a 29 de janeiro, o secretário-geral da ONU, António Guterres, declarou que as Nações Unidas estão prontas para aumentar as suas atividades na Venezuela em termos de assistência humanitária e de desenvolvimento", afirmou hoje, em declarações à agência noticiosa francesa France Presse (AFP), um porta-voz daquela organização internacional em Genebra (Suíça).

“No entanto, acrescentou que, para isso, as Nações Unidas precisavam do consentimento do governo", prosseguiu o mesmo porta-voz, frisando: “É urgente aumentar a ajuda humanitária".

Atualmente, existem agências da ONU que estão presentes na Venezuela, como o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS, a estrutura regional para o continente americano da Organização Mundial de Saúde), que gerem programas de assistência ao desenvolvimento ou de prevenção.

Segundo o mesmo porta-voz, estas agências estão a trabalhar no terreno para tentar conseguir intensificar o seu apoio.

Mas, por exemplo, o Programa Alimentar Mundial (PAM), agência responsável pela entrega de alimentos em países em crise ou em conflito, não está presente na Venezuela, que enfrenta uma grave crise económica e social que já levou cerca de 2,3 milhões de pessoas a fugirem do país desde 2015, segundo dados das Nações Unidas.

O presidente da Assembleia Nacional (parlamento), Juan Guaidó, que se autoproclamou no passado dia 23 de janeiro Presidente interino da Venezuela e que tem vindo a ganhar o reconhecimento de vários países, alertou para a necessidade da chegada de uma ajuda humanitária de emergência ao país e tem tentado mobilizar apoios nesse sentido.

O parlamento venezuelano, a única instituição na qual a oposição tem maioria, aprovou esta semana um plano estratégico para a distribuição de alimentos e remédios enviados pelos Estados Unidos e pelo Canadá a partir da Colômbia e do Brasil, países que fazem fronteira com a Venezuela.

Segundo Juan Guaidó, "há entre 250 mil a 300 mil venezuelanos que correm o risco de morrer”.

Na quarta-feira, os Estados Unidos acusaram o Presidente Nicolás Maduro de “bloquear” a ajuda humanitária enviada para o país, referindo que a população está “desesperada” por auxílio.

“O povo venezuelano necessita desesperadamente de ajuda humanitária. Os Estados Unidos e outros países estão a tentar ajudar, mas o exército da Venezuela, sob as ordens de Maduro, estão a bloquear a ajuda que chega em camiões e navios”, disse o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, numa publicação na rede social Twitter.

O secretário de Estado defendeu ainda que o povo precisa de ser ajudado.

“O regime de Maduro deve permitir que a ajuda chegue a um povo com fome”, acrescentou, na mesma altura, Mike Pompeo.

Acreditando que as necessidades não cobertas no país são "enormes", o Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICR) duplicou o seu orçamento anual para a Venezuela, mas fez questão de afirmar que se recusa a ser arrastado para divisões políticas.

Frisando a “neutralidade” da organização, a Cruz Vermelha venezuelana afirmou, esta semana, que está pronta para distribuir ajuda humanitária, a partir do momento em que ela entre no país.

Atualmente, “estão cerca de 2.600 voluntários e funcionários da Cruz Vermelha no terreno” para gerir oito hospitais, 33 centros de atendimento ambulatório e para "assegurar os primeiros socorros", precisou, também em declarações à AFP em Genebra, um porta-voz da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV/CV).

"Eles também trabalham com as comunidades e as populações deslocadas no fornecimento de água, no melhoramento das condições de higiene e de saneamento, na prevenção de doenças e na preparação para situações de urgência”, acrescentou o porta-voz da FICV/CV.

Presente desde 2015 em certas regiões na Venezuela, a Médicos sem Fronteiras (MSF) também assegurou que as equipas da organização não-governamental (ONG) “estão prontas para reagir se necessário”, segundo afirmou hoje também à AFP o porta-voz da organização, Etienne L’Hermitte.

C/ LUSA

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