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Redução de anticorpos três meses após infeção
Sociedade 17 mai, 2021, 18:01

Redução de anticorpos três meses após infeção

A segunda fase do Inquérito Serológico Nacional (ISN) covid-19 alerta para a redução de anticorpos contra o vírus SARS-CoV-2 três meses após a infeção e defende a vacinação em pessoas anteriormente infetadas, segundo o relatório dos resultados hoje apresentado.

O estudo coordenado pelo Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), que contou com a participação de 8.463 pessoas, com idades entre 1 e 79 anos, estudadas entre 01 de fevereiro e 31 de março de 2021, em municípios previamente selecionados, considera que este registo “deve ser avaliado em estudo específicos”, face à “pertinência de monitorizar a prevalência de anticorpos específicos para o SARS-CoV-2 ao longo do tempo”.

“Esta hipótese de decaimento dos anticorpos, justifica a atual opção de vacinar as pessoas previamente infetadas por SARS-CoV-2, apesar de o decaimento de anticorpos ao longo do tempo, e mesmo ausência de anticorpos detetáveis, poderem não corresponder a uma total ausência de proteção, dado o papel da memória imunitária e da manutenção de mecanismos de imunidade celular”, indica o documento.

A necessidade de um melhor conhecimento da duração da imunidade pós-infeção e pós-vacinação é reforçada pelo INSA, na medida em que ao expectável aumento do número de pessoas imunes por via das vacinas deverá corresponder uma redução dos anticorpos nas pessoas anteriormente infetadas. O relatório nota as diferenças de seroprevalência nas pessoas que referiram antecedentes relacionados com covid-19, antes e depois de outubro.

“Os nossos resultados sugerem ainda que os indivíduos infetados por SARS-CoV-2 têm valores mais baixos de anticorpos do que os vacinados, à semelhança de resultados obtidos em ensaios clínicos (…), não sendo, no entanto, possível inferir quanto a diferenças no nível de proteção entre pessoas infetadas ou vacinadas. De qualquer modo, estes resultados suportam a opção de vacinação de pessoas previamente infetadas com SARS-CoV-2”, pode ler-se no documento.

Sublinhando o aumento da imunidade contra a doença na população em relação à primeira fase do ISN Covid-19 (entre maio e julho de 2020), muito por culpa do aumento da incidência de covid-19 observado em Portugal após outubro de 2020, o relatório antecipa também “um aumento progressivo da imunidade” com a execução do plano de vacinação.

Os resultados preliminares deste estudo já tinham sido anunciados no final de abril, com destaque para a prevalência de anticorpos específicos contra o vírus SARS-CoV-2 na população residente em Portugal, que foi de 15,5%, sendo 13,5% conferida por infeção. Segundo o estudo, as regiões Norte, Lisboa e Vale do Tejo, Centro e Alentejo foram aquelas onde se observou uma maior seroprevalência.

Relativamente às idades, o estudo indica que a “seroprevalência mais elevada foi encontrada na população adulta em idade ativa” e “mais baixa no grupo entre os 70 e os 79 anos”. Os resultados preliminares da segunda fase do ISN covid-19 revelam ainda que a seroprevalência estimada para os grupos etários abaixo dos 20 anos não é inferior à da população adulta.

No grupo de indivíduos vacinados contra a covid-19, a proporção de pessoas com anticorpos específicos contra o vírus foi de 74,9%, valor que aumentou para 98,5% quando consideradas apenas as pessoas vacinadas com duas doses há pelo menos sete dias.

C/Lusa 

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