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Imagem de Marcelo faz apelo nas televisões para que se evite escalada de violência
Foto: ANTÓNIO COTRIM/LUSA
Sociedade 23 out, 2024, 16:29

Marcelo faz apelo nas televisões para que se evite escalada de violência

O Presidente da República falou hoje em direto para vários canais de televisão apelando que se evite uma escalada de violência na Área Metropolitana de Lisboa e se procure soluções pela via pacífica.

Em declarações à SIC, Marcelo Rebelo de Sousa manifestou “a certeza de que a maioria da população é sensível a que as soluções pacíficas são sempre preferíveis aos afrontamentos violentos”, alertando que “a violência é uma escalada”.

“A minha preocupação é esta: é a de que se crie ou se fomente ou se alimente um clima de subida de violência, verbal, naquilo que se diz, nas iniciativas que se toma, e isso tem um custo enorme para a maioria esmagadora dos portugueses, e neste caso para a maioria esmagadora daqueles que vivem aqui nesta área”, disse.

O chefe de Estado acrescentou que “é evidente que há situações mais críticas e momentos mais críticos, e do que se trata é de enfrentá-los encontrando soluções, e nunca é uma solução o fomento da violência, nomeadamente da violência física” e insistiu para que “se resista à tentação da violência”.

O Presidente da República falou também à RTP e à TVI/CNN Portugal, repetindo este apelo, depois de ter divulgado uma nota escrita por causa dos distúrbios registados na Grande Lisboa, na sequência da morte de um cidadão de 43 anos, Odair Moniz, baleado por um agente da PSP na madrugada de segunda-feira, no Bairro da Cova da Moura, na Amadora.

Nessa nota escrita, Marcelo Rebelo de Sousa referiu que acompanha atentamente os acontecimentos na Grande Lisboa, em contacto com o Governo e com autarcas, e defendeu a importância da segurança e da ordem pública, no respeito pelos princípios do Estado de direito democrático.

Na mesma mensagem, considerou que a sociedade portuguesa, “apesar dos problemas sociais, económicos, culturais e as desigualdades que ainda a atravessam, é uma sociedade genericamente pacífica, e assim quer continuar a ser, sem instabilidade e, muito menos, violência”.

O Presidente da República não comentou diretamente o caso da morte de Odair Moniz na nota escrita que divulgou nem nas declarações às televisões.

Apenas falou, em termos gerais, de “problemas económicos, sociais, das injustiças, do que correu mal, há muito tempo ou há pouco tempo”, de “razões mais antigas ou mais recentes”, perante as quais pediu que não se entre numa “radicalização de posições” e que se faça “um esforço de procurar a garantia da democracia”.

À RTP, o chefe de Estado começou por afirmar que “não há democracia sem segurança e ordem pública e, portanto, sem o papel das forças de segurança – não são as únicas, mas são fundamentais”, e que “devem atuar sempre no respeito pelos princípios do Estado de direito democrático”.

Depois, repetiu o apelo para que “os problemas que há a resolver sejam resolvidos não pela via da instabilidade e do clima de violência”, acrescentando: “Problemas que sabemos que existem, injustiças e desigualdades que existem”.

“O apelo é para todos, quer dizer, nomeadamente para a grande maioria dos cidadãos, numa sociedade que é pacífica, que tem muitas desigualdades, de facto, e tem muitas injustiças, e muitos problemas económicos, sociais e financeiros e culturais, nomeadamente nas áreas metropolitanas”, declarou Marcelo Rebelo de Sousa à TVI/CNN.

Nas suas declarações à SIC, que foram as mais longas, de cerca de doze minutos, o Presidente da República não quis avançar explicações para os distúrbios registados na Grande Lisboa: “Eu não me vou pronunciar sobre isso, isso é uma questão complexa e há sempre razões pontuais num certo momento e há razões mais genéricas”.

“A meu ver, a sociedade portuguesa é muito diferente de outras sociedades em vários aspetos e uma das diferenças é que de facto noutras sociedades isto tem acontecido, e tem acontecido por razões demográficas, pelo peso que têm as várias comunidades e o equilíbrio entre as várias comunidades, que não existe na sociedade portuguesa”, sustentou, em seguida.

 

Lusa

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