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Mais de 1,5 milhões de portugueses vítimas de violência física ou sexual
Sociedade 30 out, 2023, 16:21

Mais de 1,5 milhões de portugueses vítimas de violência física ou sexual

Mais de 1,5 milhões de portugueses já foram vítimas de violência física ou sexual como adultos, segundo o Instituto Nacional de Estatística, que revela que as mulheres são as principais vítimas de violência sexual em contexto de intimidade.

Os dados constam do Inquérito sobre Segurança no Espaço Público e Privado (ISEPP), divulgados hoje, e resultam de 11.346 entrevistas feitas entre julho e outubro do ano passado para recolha de dados estatísticos sobre violência de género e violência doméstica.

Segundo o INE, 20,1% das pessoas com idades entre os 18 e os 74 anos já foram vítimas de violência física ou sexual na idade adulta, com as mulheres a serem mais afetadas pela violência em contexto de intimidade, ao contrário dos homens, que são sobretudo vítimas de violência física fora de contexto de intimidade.

O INE explica que a violência na idade adulta resulta da combinação de toda a violência sofrida pelas pessoas tanto em contexto privado como público, tendo tomado em consideração “o tipo de violência observada que é comum nas duas esferas, isto é, a violência física e a violência sexual”.

De acordo com o INE, “a proporção de mulheres que sofreram violência sexual na idade adulta é praticamente o triplo da observada nos homens (6,4% para 2,2%, respetivamente)”, com os homens a apresentarem “uma maior prevalência de violência física, sendo superior à das mulheres em 5,3 p.p. (18,5% para 13,2%)”.

“Daqui resulta que a proporção total de pessoas vítimas de violência física e ou sexual na idade adulta é de 20,1%, sendo a proporção de mulheres e homens muito semelhante, respetivamente, 19,7% e 20,6%”, explica o INE.

Concretamente em relação à violência em contexto de intimidade, o INE refere que mais de 1,3 milhões de pessoas (20%) que têm ou tiveram um/a parceiro/a sofreram algum tipo de violência, com a proporção a ser mais elevada nas mulheres (22,5%) do que nos homens (17,1%).

Refere também que as mulheres apresentam proporções mais elevadas do que os homens em todos os tipos de violência em contexto de intimidade, quando analisados separadamente: “21,8% das mulheres referiram ter sofrido violência psicológica, o que compara com 16,8% dos homens; 7,0% foram vítimas de violência física, mas não sexual (3,3% no caso dos homens); e 10,3% de violência física ou sexual (3,8% nos homens)”.

Este último valor (10,3%) significa que um universo de quase 500 mil mulheres foi vítima de agressões físicas ou sexuais por parte do parceiro, além de o INE salientar que “a proporção de mulheres vítimas de violência sexual é o dobro da observada nos homens (3,8%)”.

Com os resultados obtidos, o INE considera que “apenas parte das experiências de violência são reportadas às autoridades policiais e oficialmente registadas”, tendo em conta que os dados administrativos registaram 37,7 mil vítimas por crime de violência doméstica em 2022, quando o inquérito apurou 214,4 mil.

Fora do contexto de intimidade, a violência física é a que mais se destaca, sobretudo nos homens, mas ainda assim a “proporção de mulheres vítimas de violência sexual é o dobro da observada nos homens”.

Os dados do inquérito mostram, no entanto, um padrão diferente do que foi observado na violência em contexto de intimidade, já que a proporção de homens vítimas (19,3%) é superior à das mulheres (13,1%), “particularmente suportada pela mais elevada proporção de homens que sofreram violência física, mas não sexual (17,4%), o que compara com 9,3% nas mulheres”.

“Porém, a proporção de mulheres vítimas de violência sexual fora do contexto de intimidade (3,9%) é o dobro da observada nos homens (1,9%)”, sublinha.

O INE analisa também a questão do assédio sexual no local de trabalho e conclui que também aqui há uma diferença de género, já que “mais do dobro [das mulheres], comparativamente aos homens, afirma ter sido vítima” e com mais de 76 mil mulheres a reportaram situações ocorridas nos doze meses anteriores à realização do inquérito.

O fenómeno é particularmente notado pelas mulheres mais jovens e a maioria dos agressores identificados são homens, com destaque para colegas de trabalho e o patrão.

Lusa

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