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Borrell exclui que Putin corte fornecimento de petróleo e gás à Europa
Sociedade 27 mar, 2022, 11:35

Borrell exclui que Putin corte fornecimento de petróleo e gás à Europa

O Alto Representante da União Europeia (UE) para os Negócios Estrangeiros, Josep Borrell, excluiu hoje que o Presidente russo, Vladimir Putin, pudesse ordenar um corte no fornecimento de petróleo e gás à Europa como retaliação pelas sanções impostas pelo Ocidente.

A Rússia "precisa de vender o seu petróleo e gás", disse Borrell numa entrevista com Efe no âmbito do Fórum de Doha, na qual participou hoje ao lado de líderes políticos e estrategas de todo o mundo reunidos na capital do Qatar para analisar uma série de questões de grande preocupação global, tais como a guerra na Ucrânia, a crise dos refugiados e as alterações climáticas.

O diplomata espanhol salientou que Moscovo obtém "uma quantidade considerável dos recursos financeiros de que necessita da venda de hidrocarbonetos, porque as sanções bloquearam os ativos que o Banco Central russo tem nos bancos americanos, europeus e japoneses", embora tenha reconhecido que "não são todos os ativos" que tem, porque Moscovo "tem muitos na China e noutros países nos quais (o Ocidente) não pode atuar".

"Não são todos os bens, mas bloqueámos uma parte muito importante das suas reservas de divisas", assegurou.

No entanto, reconheceu que Putin é uma pessoa imprevisível de quem se pode esperar qualquer coisa: "Não estou na cabeça de Putin e não sei o que é que ele vai fazer. Nunca pensei que ele fosse invadir, e mais do que invadir, destruir a Ucrânia como ele está a fazer", disse.

A Europa encontra-se numa situação contraditória, pois se por um lado quer desligar as importações de petróleo e gás da Rússia para a isolar e atingir ainda mais duramente em resposta à guerra na Ucrânia, as suas sanções económicas já tiveram o efeito colateral de aumentar os preços da energia, que estão a atingir duramente os consumidores.

Para contrariar este aumento, os países europeus estão a tentar convencer outras nações produtoras de hidrocarbonetos a aumentar a sua produção, um esforço que em parte faz parte da viagem do Alto Representante da UE ao Kuwait hoje, depois da sua participação no Fórum de Doha.

Borrell, contudo, insistiu na necessidade de manter e intensificar as sanções contra a Rússia, uma vez que Putin "está a pulverizar" as cidades ucranianas.

"Como não pode conquistá-los, está a bombardeá-los, causando um enorme número de baixas civis", disse.

Em relação às vozes nos EUA apelando para mais ação contra a Rússia e ao debate sobre onde a linha deve ser traçada, Borrell disse que não havia diferenças entre os aliados.

"Não temos falado de linhas vermelhas. Sabemos o que temos de fazer e fazêmo-lo", disse.

"Fornecemos à Ucrânia armas para se defender, armas defensivas, e aplicamos sanções à Rússia para a enfraquecer, especialmente a economia que gira em torno de Putin e das pessoas que o apoiam, os famosos oligarcas e os líderes deste sistema político. E é isso que estamos a fazer e é isso que vamos continuar a fazer", disse.

Mas salientou que se os Estados Unidos decidiram proibir as importações de petróleo e gás russo, é porque "importam muito pouco, se não quase nada", enquanto os países europeus "importam muito".

"Uma pequena diferença. Desistir do que não se tem está bem, mas quando se tem, é preciso pensar duas vezes antes de tomar uma decisão, e de momento (…) os Chefes de Estado e de Governo não tomaram esta decisão".

Alguns países, como França, têm sido a favor da manutenção da proibição das importações de gás russo como opção, o que é oposto por outros, especialmente a Alemanha.

Sobre a resolução do conflito, o diplomata disse que a UE está a contribuir para encontrar uma solução diplomática, porque "todas as guerras terminam, e quanto mais cedo melhor, com um cessar-fogo primeiro e um acordo de paz depois".

"Estas coisas são feitas discretamente, mas há linhas de trabalho para conseguir um cessar-fogo o mais depressa possível e pôr fim ao sofrimento do povo ucraniano", prevendo ao mesmo tempo que as negociações de paz "serão sem dúvida longas e difíceis, mas o importante é parar esta guerra (…) que nunca deveria ter começado, que não tem qualquer justificação e que está a causar um enorme sofrimento".

"São quase quatro milhões de exilados (…) e doze milhões de pessoas deslocadas internamente. Neste momento, metade das crianças ucranianas (…) tiveram de fugir dos seus lares. Alguns foram para o estrangeiro e outros estão noutras partes do país. É uma tragédia humanitária que esta guerra está a causar", concluiu.

Lusa

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