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AstraZeneca admite que tratamento com anticorpos não provou eficácia
Sociedade 16 jun, 2021, 00:15

AstraZeneca admite que tratamento com anticorpos não provou eficácia

A farmacêutica AstraZeneca admitiu esta terça-feira um retrocesso no desenvolvimento de um tratamento com anticorpos para a Covid-19, uma vez que não ficou provada a sua eficácia nos ensaios clínicos em pessoas que foram expostas ao vírus.

"O ensaio não atingiu o objetivo principal de prevenir casos sintomáticos de Covid-19 após a exposição" ao vírus SARS-CoV-2, adiantou o grupo farmacêutico anglo-sueco em comunicado.

O tratamento com anticorpos, com a designação AZD7442, encontrava-se na fase três de desenvolvimento, ou seja, em ensaios clínicos em larga escala para aferir a sua segurança e eficácia.

Estes ensaios clínicos, segundo adianta a agência France-Presse, envolveram 1.121 voluntários adultos que não foram vacinados e que tinham sido expostos a uma pessoa infetada durante os oito dias anteriores, tendo o tratamento reduzido o risco de desenvolver Covid-19 com sintomas em 33% desse universo.

De acordo com a farmacêutica, os ensaios vão prosseguir para avaliar a eficácia dos anticorpos em pessoas antes de serem expostas ao vírus e em doentes que desenvolveram formas graves de Covid-19.

O desenvolvimento desse tratamento é financiado pela administração dos Estados Unidos, que assinou um acordo com a AstraZeneca para receber até 700 mil doses este ano.

No total, o valor dos acordos para o desenvolvimento do tratamento e para a entrega das doses chega a 726 milhões de dólares (cerca de 600 milhões de euros) este ano, com a AstraZeneca a adiantar hoje que estão a decorrer negociações "sobre os próximos passos com o Governo dos Estados Unidos".

Em vários países europeus, a vacina da farmacêutica anglo-sueca, denominada Vaxzevria, enfrenta restrições etárias, sendo recomendada em Portugal para pessoas acima dos 60 anos.

Esta decisão surgiu dias depois da Agência Europeia de Medicamentos (EMA, na sigla em inglês) ter indicado uma “possível ligação” entre a vacina e “casos muito raros” de formação de coágulos sanguíneos, mas salientando que os benefícios de receber o fármaco superavam largamente os riscos dos seus efeitos secundários.

Na segunda-feira, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) criticou a circulação de informação errada sobre a vacina, alegando que um funcionário da agência foi mal interpretado numa entrevista ao jornal italiano La Stampa.

"Houve muitos artigos durante o fim-de-semana contendo informações erradas sobre as considerações científicas da EMA relativamente à vacina Covid-19 da AstraZeneca. A posição regulamentar da EMA em relação a esta vacina é clara: o balanço benefício-risco é positivo e a vacina permanece autorizada em todas as populações", refere uma nota da agência europeia.

C/Lusa 

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