Israel e o Irão travaram uma guerra entre 13 e 24 de junho de 2025, em que os Estados Unidos também participaram com o bombardeamento de instalações nucleares iranianas.
O conflito causou mais de mil mortos no Irão, incluindo altos comandantes militares, cientistas e políticos, e cerca de três dezenas de baixas do lado israelita, mas expôs fragilidades das forças iranianas.
Hatami anunciou na TV estatal que, face às ameaças norte-americanas, o exército tem como “prioridade reforçar os ativos estratégicos com vista a uma resposta rápida e esmagadora a qualquer invasão e ataque”.
Sob as suas ordens, as unidades de combate receberam “mil drones estratégicos” fabricados pelo “exército em cooperação com o Ministério da Defesa”.
Os aparelhos foram concebidos “de acordo com as novas ameaças e as lições aprendidas com a guerra de 12 dias” com Israel, acrescentou a televisão estatal iraniana, citada pela agência de notícias France-Presse (AFP).
O Irão possui uma forte indústria de drones e mísseis.
Em 2024, apresentou um modelo com um raio de ação de 2.000 quilómetros e capacidade de voo de 24 horas, segundo a agência noticiosa espanhola EFE.
A República Islâmica enfrenta uma potencial intervenção militar de Washington, que deslocou para a região o porta-aviões “Abraham Lincoln” e respetivos grupo de escolta, composto por três contratorpedeiros.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou na quarta-feira que a frota estava “pronta, disposta e capacitada para cumprir a missão, com rapidez e violência, se necessário”, comparando a situação à da Venezuela e exigindo que Teerão assine um acordo.
O envio da frota foi ordenado após os protestos que abalaram o país desde o final de dezembro de 2025, reprimidos violentamente pelas autoridades.
Teerão acusa os Estados Unidos e Israel de terem instigado as manifestações, que pediam o fim da República Islâmica instaurada em 1979, após a revolução liderada pelo ‘ayatollah’ Ruhollah Khomeini, que derrubou o regime do xá Reza Pahlavi.
Segundo os dados oficiais, 3.117 pessoas foram mortas nos protestos.
A organização não-governamental (ONG) norte-americana Human Rights Activists News Agency (HRANA, na sigla em inglês), que possui uma rede de informadores no país, disse que morreram mais de 6.200 pessoas.
O Irão ameaçou bloquear o estreito de Ormuz, passagem fundamental para o transporte mundial de petróleo e gás natural liquefeito.
O jornal Kayhan, afeto ao governo, afirmou hoje num editorial que “fechar o estreito é um direito da República Islâmica do Irão”.
“Se o inimigo brandir uma espada, não vamos recebê-lo com um sorriso diplomático”, acrescentou o jornal, citado pela AFP.
O barril de Brent, de referência para Portugal, ultrapassou hoje a barreira dos 70 dólares (58,5 euros, ao cambio atual) pela primeira vez desde setembro, segundo a AFP.
Na sequência da repressão das manifestações na antiga Pérsia, a União Europeia (UE) vai decidir hoje se inclui os Guardas da Revolução na lista de organizações terroristas.
“Se agem como terroristas, devem ser tratados como tal”, defendeu a chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, pouco antes do início de uma reunião dos ministros dos 27, em Bruxelas.
Vários países, incluindo Portugal, França, Espanha, Bélgica e Itália, declararam-se favoráveis à medida contra o braço armado da República Islâmica.
O Irão já alertou para “consequências destrutivas” caso a UE avance com a decisão, que poderá ter um impacto limitado, uma vez que aquela força militar já é alvo de sanções europeias.
As vias diplomáticas não parecem ainda esgotadas, com Teerão a mostrar abertura para o diálogo e a Turquia a oferecer-se como mediadora.
A Rússia considerou hoje que o potencial de negociações está “longe de estar esgotado” e apelou para a contenção.
Lusa