“A UE deve opor-se a qualquer medida que recorde mentalidades históricas nazis e, em vez disso, manter o compromisso com o Direito Internacional e a justiça”, afirmou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano.
Esmaeil Baqaei disse numa mensagem publicada nas redes sociais que a UE e o grupo chamado E3, formado por Alemanha, França e Reino Unido, “desempenharam no passado um papel fundamental na diplomacia internacional”.
Recordou, nomeadamente, o contributo que deram para a assinatura do acordo nuclear de 2015, “um êxito da política externa europeia torpedeado pela administração norte-americana”, numa referência à retirada unilateral de Washington três anos depois.
“Hoje, sob pressão do chanceler alemão, alguns membros da UE correm o risco de ficar posicionados no lado errado da História ao parecerem cúmplices dos atos de agressão e crimes de guerra dos Estados Unidos e de Israel”, afirmou.
Baqaei assinalou que o país agredido, o Irão, é “um dos Estados-nação mais antigos e mais duradouros do mundo”, segundo a mensagem citada pela agência de notícias espanhola Europa Press (EP).
O chanceler alemão, Friedrich Merz, manifestou na terça-feira preocupação com o impacto que a ofensiva terá na economia mundial, embora tenha reiterado o apoio a Washington nos esforços para “fazer desaparecer o regime” da República Islâmica.
Israel e os Estados Unidos lançaram uma ofensiva militar contra o Irão no sábado que causou mais de mil mortos, segundo as autoridades iranianas.
Entre as vítimas mortais contam-se vários dirigentes políticos e militares, incluindo o líder supremo do Irão, o ‘ayatollah’ Ali Khamenei, de 86 anos, que estava no poder desde 1989.
O Irão respondeu com o lançamento de mísseis e drones contra Israel e bases norte-americanas no Médio Oriente.
A ofensiva contra o Irão foi lançada no sábado, 28 de fevereiro, quando Teerão e Washington tinham em curso um processo de negociações sobre o programa nuclear iraniano.
Os países ocidentais, liderados pelos Estados Unidos, e Israel, inimigo declarado de Teerão, suspeitavam que o Irão pretendia desenvolver armas nucleares.
Teerão negou sempre que o programa tivesse objetivos militares, reclamando o direito de a usar a tecnologia nuclear para fins civis.
Um anterior acordo foi concluído em 2015, mas caducou com a decisão de Donald Trump de retirar os Estados Unidos do pacto em 2018, durante o primeiro mandato (2017-2021) do atual Presidente norte-americano.
O acordo envolvia também a China, a França, a Rússia, o Reino Unido e a Alemanha, e limitava o programa nuclear do Irão em troca do levantamento das sanções económicas.
Lusa