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Putin diz não saber se poderá confiar num eventual acordo de paz com Kiev
Política 09 dez, 2022, 16:56

Putin diz não saber se poderá confiar num eventual acordo de paz com Kiev

O Presidente russo, Vladimir Putin, defendeu hoje que será necessário um acordo “no final” do conflito na Ucrânia, mas disse ter dúvidas sobre a confiança que Moscovo poderá depositar nos seus interlocutores.

“No final teremos de chegar a um acordo. Já disse várias vezes que estamos prontos para essas negociações, estamos abertos, mas isso obriga-nos a pensar com quem estamos a lidar”, disse o Presidente russo, à margem de uma cimeira regional no Quirguistão.

Vladimir Putin reagia a comentários recentes da ex-chanceler alemã Angela Merkel, que disse que o acordo de Minsk de 2014, entre Moscovo e Kiev, assinado sob a égide da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), deu à Ucrânia tempo para se fortalecer e enfrentar um conflito armado com a Rússia.

“O acordo de Minsk de 2014 foi uma tentativa de dar tempo à Ucrânia. Aproveitou-se disso, como vemos hoje. A Ucrânia de 2014/2015 não é a Ucrânia de hoje (…) No início de 2015, Putin podia esmagar facilmente” o país, considerou Merkel, em declarações ao jornal alemão Die Zeit.

O acordo de Minsk 1 (em 2015 foi assinado um segundo) estabelecia um cessar-fogo entre o exército ucraniano e os separatistas russos de Lugansk e Donetsk, territórios pró-Rússia no leste da Ucrânia.

A Ucrânia concedia autonomia às duas regiões separatistas em troca da recuperação da fronteira leste com a Rússia, o que nunca aconteceu.

O acordo foi considerado extinto quando Putin anunciou, em setembro passado, que tinha anexado os dois territórios em causa, mas, na verdade, também nunca tinha saído do papel até porque as duas partes tinham interpretações diferentes sobre o texto.

Ainda assim, foi considerado, em conjunto com o segundo acordo de Minsk, no ano seguinte, uma garantia de paz na Europa.

Os comentários de Angela Merkel foram vistos por Putin como “uma desilusão” porque “obviamente levantaram a questão da confiança”.

Numa altura “em que a confiança já é quase zero, a questão fica mais complicada depois de tais declarações: como é que chegamos a um acordo? Podemos dar-nos bem com alguém? Com que garantias?”, questionou o Presidente russo.

“Talvez devêssemos ter começado antes [a ofensiva na Ucrânia], mas, na verdade, estávamos a contar com a possibilidade de chegar a um acordo dentro da estrutura de Minsk”, argumentou.

A ofensiva militar da Rússia na Ucrânia foi lançada a 24 de fevereiro e justificada por Vladimir Putin com a necessidade de “desnazificar” e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia.

A invasão foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções políticas e económicas.

A ONU apresentou como confirmados desde o início da guerra 6.702 civis mortos e 10.479 feridos, sublinhando que estes números estão muito aquém dos reais.

Lusa

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