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Orbán reconheceu a derrota e deu os parabéns a Peter Magyar
Foto: Lusa
Política 12 abr, 2026, 21:27

Orbán reconheceu a derrota e deu os parabéns a Peter Magyar

O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, reconheceu hoje a derrota nas eleições legislativas, após o que chamou de resultado "doloroso", encerrando 16 anos no poder.

“Os resultados das eleições, embora ainda não sejam definitivos, são claros; para nós, são dolorosos, mas inequívocos. Não nos foi dada a responsabilidade, nem a oportunidade de governar”, disse o líder nacionalista, que reconheceu a derrota nas eleições parlamentares num breve discurso no seu comité de campanha.

“Dei os parabéns ao partido vitorioso”, disse Orbán aos seus apoiantes em Budapeste, interrompendo o trajeto de figura poderosa do movimento de extrema-direita aliado dos presidentes norte-americano, Donald Trump, e russo, Vladimir Putin.

“Vamos servir a nação húngara e a nossa pátria também na oposição”, acrescentou.

Os resultados oficiais parciais mostram o partido do líder da oposição, Peter Magyar, a dominar a votação, num resultado eleitoral com repercussões em toda a Europa e fora dela.

“Obrigado, Hungria!”, publicou Magyar na rede social X (antigo Twitter), enquanto milhares de apoiantes enchiam as margens do Danúbio em Budapeste.

Com 60% dos votos apurados, o partido Tisza de Magyar tinha mais de 52% dos votos, contra 38% do partido no poder, o Fidesz, de Orbán. Esta proporção mudará à medida que mais votos forem contados.

Orbán era o líder que há mais tempo governava na União Europeia (UE) e um dos seus maiores antagonistas, que percorreu um longo caminho desde os seus primeiros dias como liberal inflamado e anti-soviético até ao nacionalista pró-Rússia admirado atualmente pela extrema-direita global.

Os partidos de Orbán e Magyar disseram ter recebido relatos de irregularidades eleitorais, sugerindo que alguns resultados poderiam ser contestados por ambos os lados.

Os eleitores compareceram em massa e a participação até às 18h30 locais era de 77,80%, de acordo com o Gabinete Nacional Eleitoral, um número recorde em qualquer eleição na história pós-comunista da Hungria.

“Peço aos nossos apoiantes e a todos os húngaros: vamos manter a paz, a alegria e, se os resultados confirmarem as nossas expectativas, vamos fazer um grande Carnaval húngaro”, disse Magyar, pouco depois do fecho das urnas.

O chefe de gabinete de Orbán, Gergely Gulyás, afirmou que a participação recorde demonstra que “a democracia húngara é extremamente forte”.

Orbán tem frustrado repetidamente os esforços da UE para apoiar a Ucrânia na sua guerra contra a invasão russa em grande escala, ao mesmo tempo que cultivava laços estreitos com o Presidente Vladimir Putin e se recusava a pôr fim à dependência da Hungria das importações russas de combustíveis fósseis.

Revelações recentes mostraram que um membro importante do seu governo partilhava frequentemente o conteúdo das discussões da UE com Moscovo, levantando acusações de que a Hungria estava a agir em nome da Rússia dentro do bloco.

Os membros do movimento MAGA (‘Make America Great Again’) de Trump estão entre aqueles para quem o Governo de Orbán e o seu partido político Fidesz são exemplos brilhantes de política conservadora e antiglobalização, enquanto é repudiado pelos defensores da democracia liberal e do Estado de direito.

 

Lusa

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