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Montenegro reitera que não é agradável de ver pessoas encostadas à parede mas “PSP fez bem”
Foto: Lusa
Política 15 jan, 2025, 18:07

Montenegro reitera que não é agradável de ver pessoas encostadas à parede mas “PSP fez bem”

O primeiro-ministro reiterou hoje que ver pessoas encostadas à parede "não é uma imagem agradável" e preferia que "não fosse necessário", mas defendeu que "a PSP fez bem" na operação do Martim Moniz, em 19 de dezembro.

“Do ponto de vista da dignidade das pessoas, aquilo que vemos visualmente, as pessoas encostadas a uma parede com os braços no ar, não é uma imagem agradável. Mas eu assumi, e assumo outra vez, que apesar desse efeito visual, eu compreendi a ação da polícia, até presumia que ela se inscrevia – não falei com ninguém da polícia, foi assim que disse – naquilo que são as melhores técnicas policiais para a operação que estava ali a ser levada a cabo, que estava a ser conduzida por magistrados do Ministério Público”, afirmou Luís Montenegro no primeiro debate quinzenal do ano, na Assembleia da República.

Em resposta ao líder do Chega, André Ventura, o primeiro-ministro indicou que aquelas pessoas “só estavam naquela situação” porque “estavam a ser revistadas e porque estavam, no âmbito da prevenção, a ser objeto de uma diligência para ver se tinham armas, drogas ou de elementos que indiciassem condutas criminais”.

“Se me pergunta: ‘tem prazer em ver pessoas encostadas à parede com os braços no ar? Claro que não, é essa a resposta”, acrescentou.

Montenegro teria preferido que tal “não fosse necessário”, apesar de compreender que “naquela circunstância tinha de ser mesmo assim”.

Instado diretamente por André Ventura a avaliar a ação da polícia, o primeiro-ministro respondeu: “A PSP fez bem”.

Luís Montenegro referiu também dados preliminares sobre segurança referentes a 2024 e disse que “pode até ter ocorrido uma diminuição das participações da criminalidade geral, mas continuou a haver um aumento da criminalidade violenta e grave, de crimes de roubo de viatura, roubo por esticão, violação, criminalidade grupal, delinquência juvenil, auxílio à imigração ilegal e outros crimes ligados à imigração ilegal”.

O primeiro-ministro afirmou que “a perceção, ou aquilo que se designa mais tecnicamente o sentimento de segurança ou insegurança também existe” e que quando há um crime na via pública “não afeta só as pessoas envolvidas”, como também “a tranquilidade e a segurança de cada pessoa”.

Na sua intervenção, o líder do Chega instou o líder do executivo a especificar “porque não gostou” do que viu na operação policial de 19 de dezembro, na zona do Martim Moniz, em Lisboa, e acusou-o de tirar autoridade à polícia.

“Ao dizer, por um lado, que essas operações fazem bem, e por outro que não gosta de ver, está a tirar autoridade à polícia, está a tirar autoridade às forças de segurança, está a dar sinais errados ao país, quando sabe muito bem que já houve operações destas e parecidas com esta no Porto, em Braga, no Funchal, em Ponta Delgada, em todo o país”, defendeu.

André Ventura disse também que gosta de ver “violadores, pedófilos, traficantes de droga, ladrões” encostados à parede e “arrastados no chão”, por estarem “a atacar” os portugueses, tendo o líder do executivo alertado que quem foi encostado à parede eram pessoas “que estavam a passar” naquela zona e não condenados por qualquer crime.

Montenegro criticou o líder do Chega por procurar “exacerbar sentimentos de reação mais imediata e emocionais na base de argumentos que não são verdadeiros”.

Nas perguntas ao primeiro-ministro, o presidente do Chega abordou ainda a polémica em torno do secretário-geral do Governo, questionando se “acha bem alguém ganhar 15 mil euros por mês neste país de salários e pensões miseráveis”. E acusou o líder do executivo de ter tido “o desplante de dizer que o novo secretário-geral vai pagar para trabalhar” quando “vai ganhar seis mil euros por mês”.

Tendo apenas alguns segundos disponíveis, o primeiro-ministro remeteu uma resposta mais para a frente, durante o período de respostas ao PSD.

 

Lusa

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