Estas conclusões sobre a posição geopolítica de Portugal constam da moção de estratégia global de Luís Montenegro, intitulada “Trabalhar – Fazer Portugal Maior”, um documento que a candidatura do líder social-democrata entregou hoje na sede nacional do PSD, tendo em vista as eleições diretas do próximo dia 30.
“O PSD vê no contexto internacional uma oportunidade estratégica para Portugal se transformar em poder de influência, motor de desenvolvimento económico e país de prestígio”, lê-se na moção.
Neste documento, o presidente do PSD e primeiro-ministro descreve a atual conjuntura internacional como sendo caracterizada pela “incerteza e imprevisibilidade”.
“A guerra regressou à Europa, a concorrência entre grandes potências intensificou-se, a instabilidade alastra em várias regiões do mundo, a luta pela liderança tecnológica e a autonomia energética está a reconfigurar alianças, dependências e prioridades estratégicas”, assinala.
Neste contexto, porém, de acordo com Luís Montenegro, “Portugal encontra-se “numa posição singular”, já que “a sua geografia, a sua História, a sua língua e a sua inserção europeia e atlântica lhe conferem centralidade estratégica, que tem de ser assumida com ambição e responsabilidade”.
“Portugal é um país europeu, atlântico, lusófono e global. É ponte entre continentes, culturas e economias. É uma nação que, pela sua história, dimensão humana e pela sua tradição diplomática tem credibilidade para fazer pontes, aproximar blocos e abrir caminhos onde outros veem bloqueios”, sustenta o líder social-democrata.
Para Luís Montenegro, a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) “é cada vez mais um espaço de futuro que reúne economias emergentes e regiões com crescente relevância estratégica”.
“A língua portuguesa é um ativo estratégico, que liga povos separados por milhares de quilómetros e uma comunicação única entre geografias muito diversas, gerando oportunidades para relações empresariais, universidades e artistas. Valorizar a língua portuguesa é transformar essa afinidade em ação, é usar esta plataforma comum para gerar mais cooperação, mais conhecimento, mais inovação e mais ambição”, defende-se.
Na moção, também se realça que o Atlântico “é o espaço natural da projeção internacional de Portugal”.
“A ligação histórica aos Estados Unidos, o papel na NATO e a cooperação com o Reino Unido, especialmente nos pós Brexit, reforçam a importância de Portugal como ponto de equilíbrio e confiança entre as duas margens do Atlântico. A nossa relação transatlântica é histórica e única”, advoga o presidente do PSD.
Em relação à União Europeia, o primeiro-ministro promete “uma postura ativa e ambiciosa” de Portugal “na construção da Europa do futuro, reforçando a sua presença nas instituições europeias e tendo um papel cada vez mais relevante nos grandes debates estratégicos”.
Em outro capítulo desta moção, relativo à economia na atual conjuntura internacional, refere-se que “Portugal e a Europa vivem um momento decisivo”, num mundo “marcado por instabilidade geopolítica, tensões no Médio Oriente, bloqueios no estreito de Ormuz e uma guerra prolongada no continente europeu”.
Uma conjuntura externa em que a energia “voltou a ser uma questão de soberania, de liberdade e de competitividade económica” e em que se estima que a procura energética continuará a crescer até 2050, impulsionada pela digitalização, pelos centros de dados e pela inteligência artificial.
“Portugal tem, pela primeira vez desde a Revolução Industrial, uma oportunidade histórica na área energética”, acredita o primeiro-ministro e presidente do PSD.
Nesta moção, Luís Montenegro considera que, “no novo paradigma energético assente nas renováveis, Portugal tem vantagens competitivas únicas na energia eólica, solar e hídrica”.
“Reduzimos muito a dependência energética nas últimas duas décadas, mas temos de ir mais longe. As energias renováveis são um ativo estratégico para o país, não apenas por razões ambientais, mas pelo seu contributo direto para a competitividade das empresas, para o rendimento das famílias e para a redução da dependência externa”, acrescenta.
Lusa