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Imprensa europeia destaca ascensão de extrema-direita e instabilidade
Política 11 mar, 2024, 09:04

Imprensa europeia destaca ascensão de extrema-direita e instabilidade

A imprensa europeia em Bruxelas destaca hoje a ascensão da extrema-direita em Portugal nas eleições legislativas de domingo, com "nova vaga dos populistas", apontando que a viragem à direita, que venceu os socialistas, é feita com instabilidade parlamentar.

Na ‘newsletter’ da manhã “Europe Express” do jornal britânico Financial Times, com foco em assuntos europeus, lê-se que “a oposição de centro-direita de Portugal ganhou as eleições parlamentares de ontem (domingo), mas não conseguiu a maioria, uma vez que o apoio ao partido de extrema-direita Chega aumentou, tornando-o num potencial fazedor de reis”, tendo grande influência na formação de Governo.

Por seu lado, na ‘newsletter” da agência de notícias financeira Bloomberg também focada na ‘bolha’ europeia, lê-se que “o rápido crescimento das forças de direita na Europa continuou ontem (domingo) em Portugal, quando o partido de extrema-direita Chega quadruplicou a sua representação no Parlamento”.

“A aliança de centro-direita – AD – obteve o maior número de lugares, derrotando os socialistas, cuja quota de votos caiu, enquanto o Chega conseguiu um forte resultado de terceiro lugar, assegurando cerca de 50 lugares”, acrescenta.

Já o jornal ‘online’ Politico escreve na sua ‘newsletter’ designada “Brussels Playbook” que, “após quase nove anos no poder e de um escândalo de corrupção que manchou o governo de António Costa, os eleitores portugueses castigaram os socialistas”, com “viragem à direita”.

Relatando os resultados provisórios de domingo, o Politico aponta que “não há uma maioria clara para nenhuma das forças tradicionais”, antevendo que, “após consultas com os líderes partidários, o Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, deva convidar (Luís) Montenegro a formar governo”.

Ainda assim, de acordo com Politico, “a turbulência está à porta”, dado que a AD não conquistou maioria absoluta e Luís Montenegro sublinhou que não faria qualquer acordo político com a extrema-direita.

Este jornal fala ainda num “mau dia para os socialistas” nacionais e europeus, dado que agora apenas governam em apenas quatro dos 27 Estados-membros da União Europeia.

O jornal ‘online’ Euractiv, parceiro da Lusa, aponta na sua ‘newsletter’ focada em temas dos Estados-membros europeus “The Capitals” que “o eleitorado português não respondeu aos apelos para um voto útil nas eleições legislativas de domingo, resultando no parlamento mais fragmentado de sempre e com o Chega, de extrema-direita, a ser o grande vencedor”.

“O Chega, de extrema-direita, quadruplicou o seu poder e ainda não se sabe se as forças dominantes o vão isolar”, adianta o Euractiv.

Na mesma linha, o jornal diário belga Le Soir salienta na sua página na internet que, em Portugal, “o parlamento vira-se para a direita, com a extrema-direita em terceiro lugar”.

“A três meses das eleições europeias, estas eleições, precipitadas pela demissão do primeiro-ministro cessante António Costa, que não se recandidatou, confirmam que a extrema-direita está a ganhar terreno no Velho Continente”, a Europa, escreve o Le Soir.

O também jornal belga La Libre indica que “Portugal vira-se para a direita com a ascensão dos populistas”, enquanto a emissora de rádio e televisão pública belga, RTBF, fala numa “vitória apertada do centro-direita e forte impulso populista”.

A coligação AD, que junta PSD, CDS e PPM, obteve 79 mandatos, contra 77 do PS (28,66%), seguindo-se o Chega com 48 eleitos (18,06%).

A IL, o BE e o PAN mantiveram os mandatos, oito, cinco e um respetivamente. Livre passou de um para quatro eleitos enquanto a CDU perdeu dois lugares, de seis para quatro mandatos.

Por apurar estão os quatro lugares da emigração, que o PS ganhou em 2022, com três mandatos.

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