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Desinformação através de anúncios pagos irregulares atingem PS e PSD
Foto: DR / Lusa
Política 19 nov, 2024, 12:27

Desinformação através de anúncios pagos irregulares atingem PS e PSD

Os investigadores do MediaLab detetaram anúncios pagos irregulares publicados nas redes sociais Facebook e Youtube nas legislativas de março que denegriam a imagem de políticos do PS e PSD, de acordo com análise publicada no 'site' do Iberifier.

“O trabalho de monitorização realizado pelos investigadores MediaLab, do ISCTE – IUL, acerca dos conteúdos políticos e da desinformação disseminados durante a campanha para as eleições legislativas de março de 2024 detetou anúncios pagos irregulares publicados nas plataformas Facebook e Youtube que denegriam a imagem de políticos do PS e PSD”, refere a análise.

Uma das mensagens, “exibida através do Youtube, mostrava primeiras páginas de jornais de forma descontextualizada, associando o atual e antigos líderes do Partido Socialista à corrupção”, sendo que “o nome do canal que exibia o vídeo designava-se de ‘Bolsonaristas em Portugal'”.

O projeto de investigação foi desenvolvido entre 01 de fevereiro e 06 de março.

Os investigadores detetaram ainda “uma segunda publicidade política” no YouTube, “um anúncio com um nível de produção mais elevado e que criticava o PSD”.

Neste caso, “o nome do canal que albergava o vídeo era ‘Jovens por Portugal'”.

Estas conclusões constam do relatório “Legislativas 2024, Amplificação do discurso político online e desinformação”, disponível no ‘site’ do Iberifier.

A terceira publicidade irregular foi detetada no Facebook, “na forma de publicações patrocinadas da página ‘Notícias Internacionais'”, tendo como “alvo Luís Montenegro, líder do PSD, e Pedro Passos Coelho, antigo líder do PSD dos tempos da intervenção da ‘troika’ em Portugal”.

No total, as publicações (‘posts’) “alcançaram cerca de dois milhões de contas, sendo que apenas uma das publicações alcançou mais de um milhão de contas”, estimando-se que o “valor investido nesta operação de publicidade ilegal tenha sido de 12 mil euros em três dias e os anunciantes poderão ter alcançado cerca de 22% do eleitorado português em pleno período de campanha eleitoral”.

O acompanhamento dos conteúdos políticos e da desinformação nas redes sociais no período que antecedeu as eleições legislativas permitiu concluir, entre outras, que o “Facebook deixou de ser a rede social predominante para a divulgação de conteúdos políticos” e “ganhou sobretudo relevância o Instagram”.

O Facebook e X “continuam a ser as redes mais usadas pelos atores políticos, mas o Instagram é a rede que lhes dá mais alcance e impacto” e o “TikTok ainda é pouco usado pelos atores políticos, mas denota um potencial de alcance e impacto que poderá fazer prever uma utilização intensiva no futuro”, refere.

O Twitter/X é a rede social “com maior penetração de temas políticos e aquela que é mais frequentada por políticos e interessados em política”, mas “revela ter pouco alcance e impacto fora dessa ‘bolha mediática e política'”.

Outra das conclusões é que “são os próprios agentes políticos a amplificar as mensagens que lhes convém, mesmo nos casos em que as mensagens podem ser desinformativas” e que o partido Chega e o seu líder “conseguiram mobilizar as redes sociais para propagar a sua mensagem, revelando uma taxa de interação com os utilizadores e a interação média dos ‘posts’ superiores às da concorrência”.

Os conteúdos políticos “estão longe de ser os conteúdos preferidos dos utilizadores das redes sociais, tendo em conta a atenção que lhes prestam”.

Outra das conclusões é que “são os conteúdos relativos aos políticos que escapam aos canais (e formatos) tradicionais que melhor resultam nessa captação da atenção nas redes sociais, nomeadamente as entrevistas lúdicas ou os conteúdos humorísticos”.

Esta investigação foi coordenada por Gustavo Cardoso, professor catedrático do ISCTE – IUL, e responsável pelo Iberifier em Portugal, e elaborada pelos investigadores do MediaLab, Centro de Investigação e Estudos em Sociologia, CIES.

O trabalho contou ainda com uma parceria com a Agência Lusa e com o Observatório da Comunicação, Obercom.

Lusa

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