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“Não” à reforma judicial de Meloni vence com diferença de 2 milhões de votos
Foto: EPA
Religião 23 mar, 2026, 20:11

“Não” à reforma judicial de Meloni vence com diferença de 2 milhões de votos

O “não” à reforma do setor da justiça proposta pelo governo italiano venceu em referendo de forma clara, com perto de 54% e cerca de mais dois milhões de votos do que o “sim”, segundo resultados praticamente definitivos.

De acordo com os dados do Ministério do Interior quando está praticamente encerrada a contagem, numa consulta que registou uma forte afluência, de 59%, muito acima das expectativas, o “não”, apoiado pela oposição, impôs-se com 53,7%, contra 46,3% do “sim”, ao obter mais de 14,4 milhões de votos, contra 12,4 milhões daqueles que apoiavam a reforma.

O resultado é tanto mais significativo dado a afluência às urnas, num referendo que nem precisava de quórum de participação mínima, ter sido a segunda mais alta de sempre em referendos confirmativos, superando por exemplo por larga margem a afluência registada em Itália nas últimas eleições europeias de 2024 (49,7%), confirmando o cariz mais político, quase de moção de confiança, que a consulta ganhou ao longo das últimas semanas.

De acordo com vários estudos avançados após o encerramento das urnas, a vitória do “não” deve-se sobretudo aos jovens, já que, na faixa etária entre os 18 e 34 anos, a rejeição à reforma da justiça impôs-se com 61,1% dos votos, contra 38,9% do “sim”.

O triunfo expressivo do “não”, que está a ser efusivamente festejado pelos partidos da oposição, de centro-esquerda, representa uma dura derrota para o governo da direita radical, uma coligação formada pelos partidos Irmãos de Itália (pós-fascista, encabeçado por Meloni), Liga (extrema-direita, liderado por Matteo Salvini) e Força Itália (direita, presidido por Antonio Tajani).

Desde que assumiu o poder, em outubro de 2022, o governo de Meloni tem atacado sistematicamente o poder judiciário, acusando-o de estar “politizado” e a minar o seu trabalho, e esta reforma era provavelmente a grande prioridade da legislatura.

Apesar de Giorgia Meloni ter afirmado durante a campanha, que não se demitiria em caso de derrota, o resultado do referendo constitui um duro revés para o executivo de direita radical – já com as eleições legislativas de 2027 no horizonte -.

Uma das grandes prioridades da legislatura era esta reforma do setor da justiça, que o governo tem sistematicamente atacado, acusando-o de “estar politizado” à esquerda e de tentar minar o trabalho do executivo, incluindo em domínios como o combate à imigração ilegal.

“Os italianos decidiram. E nós respeitamos essa decisão. Vamos seguir em frente, como sempre fizemos, com responsabilidade, determinação e respeito pelo povo italiano e pela Itália”, reagiu Giorgia Meloni nas redes sociais, lamentando “a oportunidade perdida de modernizar a Itália”.

Ao longo da campanha, muitos analistas advertiram que Meloni arriscava muito com este referendo, já que uma eventual derrota, como veio a confirmar-se, poria fim à sua aura de invencibilidade, intocável até à realização desta consulta.

Lusa

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