Num requerimento remetido esta manhã ao tribunal, ao qual a Lusa teve acesso, José Preto justifica a decisão com a necessidade de “devolver ao arguido a sua liberdade no restabelecimento dos seus direitos de defesa”, por este estar, desde 06 de janeiro, a ser representado por uma advogada oficiosa.
José Preto tinha sido contratado pelo antigo chefe de Governo (2005-2011) no final de novembro de 2025 na sequência da renúncia do advogado Pedro Delille, que acompanhava José Sócrates desde que este fora detido na Operação Marquês, em novembro de 2014.
Na altura, o ex-governante chegou a ser representado por outro advogado oficioso, José Manuel Ramos, em várias sessões do julgamento, até este ser suspenso por quase dois meses, com reinício agendado para 06 de janeiro de 2026, data em que José Preto não compareceu, por estar hospitalizado.
O tribunal nomeou então aleatoriamente a advogada oficiosa Ana Velho, que, após ter tido cinco dias para consultar o processo, marcou presença na sessão desta manhã, durante a qual foram ouvidas duas testemunhas sem conhecimento dos atos sob suspeita.
Aquando da interrupção para almoço, Ana Velho desconhecia ainda a renúncia de José Preto, tendo assegurado aos jornalistas que não tinha, até então, conseguido falar com José Sócrates.
No requerimento remetido hoje ao tribunal, José Preto informa, além de renunciar ao mandato e pedir que o antigo primeiro-ministro seja notificado para designar um novo mandatário, que o arguido, “como legalmente previsto, retira a eficácia aos atos da defensora oficiosa nomeada”.
José Sócrates, de 68 anos, está pronunciado (acusado após instrução) de 22 crimes, incluindo três de corrupção, por ter, alegadamente, recebido dinheiro para beneficiar o grupo Lena, o Grupo Espírito Santo (GES) e o ‘resort’ algarvio de Vale do Lobo.
No total, o processo conta com 21 arguidos, que têm, em geral, negado a prática dos 117 crimes económico-financeiros que globalmente lhes são imputados.
Os ilícitos terão sido praticados entre 2005 e 2014 e, no primeiro semestre deste ano, podem prescrever, segundo o tribunal, os crimes de corrupção mais antigos, relacionados com Vale do Lobo.
José Sócrates e os restantes arguidos foram dispensados pelo Tribunal Central Criminal de Lisboa de comparecer no julgamento, iniciado em 03 de julho de 2025, e têm estado todos ausentes das últimas sessões.
Lusa