“Isto é tudo muito novo. Aquilo que nós sabemos é que quando os produtos ficam mais caros há uma retração, isso é evidente. Vamos esperar é que essa retração seja diminuta e que possa haver aqui uma oportunidade para outros países também se evidenciarem e ganharem quota de mercado”, afirmou o presidente do instituto, Tiago Freitas.
Em declarações à agência Lusa, o responsável manifestou preocupação com a medida e referiu que os preços vão subir, sendo que o aumento “ou é absorvido e partilhado entre o produtor de Vinho Madeira e o importador ou é catapultado diretamente para o consumidor final”.
O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou na quarta-feira novas tarifas de 20% a produtos importados da União Europeia e que acrescem às de 25% sobre os setores automóvel, aço e alumínio.
Ainda assim, Tiago Freitas disse ter esperança que possíveis perdas nas exportações de Vinho Madeira não sejam tão gravosas, uma vez que o mercado norte-americano – o mais importante nas exportações deste produto em termos extra-comunitários – tem um elevado poder de compra.
No ano passado, a exportação de Vinho Madeira para os EUA correspondeu a 2,6 milhões de euros, de um total de 20 milhões de euros provenientes do total comercializado, referiu.
“E naturalmente que ainda acresce maior expectativa e, sobretudo, apreensão quando é um vinho patriótico, é um vinho com o qual foi celebrada a declaração da Independência dos Estados Unidos”, salientou.
Tiago Freitas realçou igualmente que o Vinho Madeira tem “muita história, sobretudo no mercado americano, é um vinho que provém de uma região muito pequenina”, que tem “cerca de 400 hectares de vinho”, em que é extraída a uva “de uma paisagem vitícola muito agressiva, muito difícil de agricultar”.
O presidente do Instituto do Vinho, do Bordado e do Artesanato da Madeira destacou, por outro lado, que será necessário que os operadores económicos, em articulação com o instituto, procurem novos mercados para mitigar possíveis perdas no mercado dos EUA.
“Há boas perspetivas no Brasil, há boas perspetivas também no continente asiático, portanto é uma questão agora de começarmos a trabalhar esses mercados”, disse.
Por outro lado, considerou, o governo português deverá encetar negociações com os EUA sem retaliações.
As novas tarifas de Trump são uma tentativa de fazer crescer a indústria dos Estados Unidos, ao mesmo tempo que pune os países por aquilo que disse serem anos de práticas comerciais desleais.
As novas tarifas foram impostas pelos Estados Unidos sobre todas as importações, com sobretaxas para os países considerados particularmente hostis ao comércio.