Este responsável disse que o Sporting não renovou o acordo de exploração com a exibidora NOS e remeteu mais explicações para o clube desportivo.“Eram salas que gostávamos de ter, mas foi essa a decisão”, disse Nuno Aguiar.
Contactada pela Lusa, fonte oficial do Sporting Clube de Portugal explicou hoje que as salas de cinema serão reconvertidas num “novo espaço pioneiro de experiência imersiva”, no âmbito de um projeto de requalificação do complexo Alvaláxia.
Será “um espaço inovador, alinhado com as novas formas de consumo de entretenimento e com a visão estratégica do clube para o seu ecossistema desportivo, cultural e de lazer”, e a intervenção “será realizada de forma faseada”, num “processo de transição estruturado e orientado para a preparação da próxima época”, referiu a mesma fonte.
Esta fonte indicou ainda que já foi feito um pedido de desafetação de atividade cinematográfica dos recintos à Inspeção-Geral das Atividades Culturais (IGAC), que, segundo a lei, terá de ser aprovado pelo Ministério da Cultura.
Em agosto de 2025, o Sporting anunciou a conclusão da compra do espaço comercial Alvaláxia (onde está integrado o complexo de cinema), numa operação avaliada em 17 milhões de euros, no âmbito do projeto “Cidade Sporting”, que deverá incluir a criação de um museu do clube.
“A aquisição do Alvaláxia constitui um marco de grande relevância no caminho definido pelo clube para afirmar-se como um eixo de entretenimento de excelência à escala global”, referiu o clube desportivo em comunicado, no verão passado.
Atualmente denominado Cinemas NOS Alvaláxia, este complexo chegou a ter 16 salas à data da inauguração, em 2003, numa zona comercial no então novo estádio José Alvalade, do Sporting Clube de Portugal, em Lisboa.
Na altura, este cinema – designado Cinemas Millenium Lisboa – era explorado pelo produtor Paulo Branco e uma das 16 salas tinha um sistema inédito de projeção digital. Para a abertura foi anunciada a presença da atriz francesa Catherine Deneuve.
Segundo os dados mais recentes coligidos pelo Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA), em 2025 este complexo de cinemas NOS Alvaláxia acolheu 121.783 espectadores, abaixo dos 193.992 espectadores contabilizados em 2024.
Em 2019, antes da pandemia da covid-19, aquele cinema registou 275.776 entradas.
A exibidora Cinemas NOS detinha 218 salas de cinema das 565 a operar em todo o país, segundo dados contabilizados pelo ICA até novembro passado.
Estas 12 salas de cinema encerram numa altura em que existe um grupo de trabalho, criado pelo Governo, para refletir sobre a exibição de cinema e o fecho de salas no país.
Em dezembro, a ministra da Cultura, Margarida Balseiro Lopes, disse à Lusa que este grupo de trabalho, que integra a IGAC e o ICA, iria “olhar para o histórico dos últimos três anos” sobre pedidos de desafetação, e que terá conclusões no primeiro trimestre deste ano.
Em setembro, a agência Lusa noticiou que, em 2025, foram feitos vários pedidos de desafetação de atividade cinematográfica e houve encerramentos de salas de cinema, a maioria a operarem em centros comerciais sob gestão da Sonae Sierra, em várias localidades.
A título de exemplo, o Arrábida Shopping, em Vila Nova de Gaia, o maior complexo de cinema do país, explorado pela exibidora UCI, foi autorizado a desafetar a atividade cinematográfica em nove das 20 salas, por questões de “viabilidade económica”.
Também foram feitos pedidos de desafetação das quatro salas do Estação Viana Shopping, em Viana do Castelo, e de seis das 12 salas dos Cinemas Cineplace Braga.
A Cinemas NOS encerrou a exploração de cinco salas no MaiaShopping (Porto), cinco salas no Tavira Grand Plaza (Faro) e seis salas no Fórum Viseu.
Em outubro, o jornal Público noticiou que a exibidora Cineplace encerrou salas no Algarve Shopping, na Guia (Faro), no Madeira Shopping, no Funchal, e no Rio Sul Shopping, no Seixal (Setúbal).
A Lusa pediu esclarecimentos, em novembro, à Sonae Sierra e às exibidoras Cineplace e UCI e não obteve resposta.
Em dezembro, Nuno Aguiar, da Cinemas NOS, dizia à Lusa que “o setor da exibição em Portugal é dinâmico” e que por isso “é normal abrirem salas em algumas regiões e encerrarem noutras”.
Lusa