“Os iranianos não são os negociadores mais rápidos, mas estamos confiantes de que teremos uma resposta, positiva ou negativa, até às 20:00 da tarde [hora de Washington]”, afirmou o governante norte-americano, numa conferência de imprensa com o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, a quem foi prestar apoio a cinco dias das eleições legislativas.
“Espero que deem a resposta certa”, comentou, acrescentando que o objetivo é ter “um mundo onde o petróleo e o gás circulem livremente, onde as pessoas possam aquecer e arrefecer as suas casas e deslocar-se para o trabalho”.
Isso “não vai acontecer se os iranianos estiverem envolvidos em atos de terrorismo económico”, avisou.
De acordo com Teerão, os Estados Unidos (EUA) e Israel atacaram hoje a ilha de Kharg, principal terminal petrolífero iraniano, por onde passam cerca de 90% das exportações de crude do país.
Os desenvolvimentos ocorrem horas antes do prazo imposto pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, para que o Irão reabra o Estreito de Ormuz, sob ameaça de novos bombardeamentos contra infraestruturas energéticas iranianas.
Após vários adiamentos, Washington fixou como limite as 20:00 de hoje (01:00 de quarta-feira em Portugal continental), avisando que poderá desencadear o “inferno” caso Teerão não cumpra.
Questionado sobre as manobras militares que visaram Kharg, JD Vance negou que estes ataques à ilha signifiquem “uma mudança de estratégia ou qualquer mudança do Presidente dos Estados Unidos”, afirmando que Washington continua a cumprir o prazo.
“O prazo do Presidente foi cumprido por nós e por todos os outros. E ele disse muito claramente que não vamos atingir metas de energia e infraestruturas até que os iranianos façam uma proposta que possamos apoiar ou não façam uma proposta”, defendeu o vice-presidente norte-americano.
JD Vance afirmou que “a bola está do lado dos iranianos” e disse esperar que eles “sejam inteligentes”.
Os EUA, acrescentou, “alcançaram em grande parte os seus objetivos militares” e ainda gostariam de “trabalhar mais militarmente na capacidade iraniana de fabricar armas”.
“O que o Irão está a tentar fazer, porque foi derrotado militarmente, é tentar extrair o máximo de dor económica possível ao mundo”, sustentou.
JD Vance apresentou depois dois caminhos para o fim do conflito, que reiterou estar perto.
“O primeiro caminho é quando os iranianos decidirem que vão ser um país normal, já não vão financiar o terrorismo, vão fazer parte do sistema mundial de comércio e troca. E isso vai significar coisas muito melhores para eles economicamente e para a paz e segurança do mundo”, referiu.
Já a “opção B” é que os iranianos se “mantenham comprometidos com o terrorismo, com o terror dos seus vizinhos — não só Israel, mas, claro, também os seus vizinhos árabes”, cenário no qual “a situação económica no Irão vai continuar a ser muito, muito má e, francamente, provavelmente vai piorar”.
Os Estados Unidos, salientou, “têm a capacidade de extrair custos económicos muito maiores ao Irão do que o Irão tem a capacidade de nos cobrar custos, ou aos nossos amigos no mundo”.
Respondendo a uma pergunta sobre se Deus apoia a ação militar contra o Irão, como tem sido apontado pelas autoridades norte-americana, JD Vance disse: “A minha atitude perante o conflito militar sempre foi rezar para que estejamos do lado de Deus”.
“A minha opinião é que estamos a fazer isto pelas razões certas, porque não queremos que um regime que cometeu atos de terrorismo tenha a arma mais perigosa do mundo, porque isso significaria a morte de muitas pessoas inocentes. Espero sinceramente que Deus concorde com a decisão de que o Irão não deveria ter uma arma nuclear, mas continuarei a rezar sobre isso”, comentou.
Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, o Irão bloqueou parcialmente o trânsito no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, permitindo apenas a circulação de navios de países considerados aliados, o que contribuiu para a subida dos preços da energia.
Poucas horas antes do fim do ultimato, decorrem contactos entre os Estados Unidos, o Irão e mediadores regionais para um eventual cessar-fogo de 45 dias, segundo o portal norte-americano Axios.
Lusa