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Ser político da oposição na Venezuela é `desporto de alto risco`
Sociedade 11 fev, 2019, 17:54

Ser político da oposição na Venezuela é `desporto de alto risco`

Aldo de Santis, ex-assessor político na Assembleia Nacional da Venezuela, presidida por Juan Guaidó e dominada pela oposição, disse hoje em Lisboa que deixou o país há dois anos porque ser político da oposição “é um desporto de alto risco”.

De Santis apresentou-se assim, com um sorriso, numa conferência organizada pelo Instituto Democracia e Liberdade (IDL), do CDS, para falar sobre a situação na Venezuela e para defender uma transição pacífica, com eleições livres, e defender uma “justiça reparadora” que ajude a “reunificar a sociedade”.

Num país em convulsão política e social, com dois presidentes, Nicolas Maduro, e outro, Juan Guaidó, que se autoproclamou Presidente interino, Aldo de Santis, assessor político de vários partidos da oposição, fez a defesa de uma lei da amnistia que não seja persecutória para nenhuma das partes em conflito.

“Queremos a reunificação da nossa sociedade”, prometeu, a exemplo do que fizera, minutos antes, Ysrrael Camero, dirigente do partido Un Nuevo Tiempo (Um Novo Tempo).

E explicou que, nos planos dos oposicionistas a Maduro, está um período de transição de 12 meses para serem organizadas eleições livres na Venezuela, afirmando que os grupos da oposição são pluralistas e incluem partidos de centro-esquerda, esquerda, centro-direita e liberais.

Para de Santis, as eleições para a Assembleia Constituinte, onde os apoiantes de Maduro têm maioria, “foram fraudulentas” e pediu à comunidade internacional que não deixe de pressionar Nicolas Maduro e não aceite a “estratégia de fuga em frente”, de apenas admitir eleições legislativas e não presidenciais.

“A pressão [internacional] não pode cessar, é a única que conseguirá opor-se para quebrar este bloco e os elos na cadeia” do poder de Nicolas Maduro, afirmou.

A agenda humanitária, permitir a entrada de ajuda como medicamentos ou alimentos, é essencial para “salvar vidas aos venezuelanos”

Ysrrael Camero alertou ainda que, após esse período de transição, a Venezuela vai precisar da cooperação económica, por exemplo, da União Europeia, dado que o pais, disse, perdeu muita riqueza e vive tempos de grande crise.

A crise política na Venezuela agravou-se em 23 de janeiro, quando o líder da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, se autoproclamou Presidente da República interino e declarou que assumia os poderes executivos de Nicolás Maduro.

Guaidó, 35 anos, contou de imediato com o apoio dos Estados Unidos e prometeu formar um governo de transição e organizar eleições livres.

Nicolás Maduro, 56 anos, no poder desde 2013, recusou o desafio de Guaidó e denunciou a iniciativa do presidente do parlamento como uma tentativa de golpe de Estado liderada pelos Estados Unidos.

A maioria dos países da União Europeia, entre os quais Portugal, reconheceram Guaidó como Presidente interino encarregado de organizar eleições livres e transparentes.

A repressão dos protestos antigovernamentais desde 23 de janeiro provocou já 40 mortos, de acordo com várias organizações não-governamentais.

Esta crise política soma-se a uma grave crise económica e social que levou 2,3 milhões de pessoas a fugirem do país desde 2015, segundo dados da ONU.

Na Venezuela, antiga colónia espanhola, residem cerca de 300.000 portugueses ou lusodescendentes.

LUSA

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