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Salários de muitos portugueses impede saída da pobreza
Sociedade 16 jan, 2023, 14:22

Salários de muitos portugueses impede saída da pobreza

A Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP) alertou hoje que “o salário de muitos trabalhadores portugueses não lhes permite superar a pobreza”.

Para a CNJP, órgão dependente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), “alterar esta situação deverá ser um verdadeiro desígnio nacional que mobilize a sociedade civil e as autoridades políticas”.

“De empresários e trabalhadores são exigidos esforços no sentido da melhoria da produtividade e da formação profissional. Mas a valorização dos salários também depende de uma mais justa repartição de rendimentos, da atribuição de uma maior parcela desses rendimentos aos do trabalho”, defendeu a Comissão presidida por Pedro Vaz Patto, numa nota a propósito da conferência a realizar em Lisboa no dia 21 de janeiro, subordinada ao tema “Salários Justos Contra a Pobreza – Trabalhadores e Empresários Cristãos em Diálogo”.

Para a CNJP, importa “destacar a importância deste diálogo entre trabalhadores e empresários cristãos”, no pressuposto de que “a comum inspiração nos princípios da doutrina social da Igreja não pode deixar de traduzir-se nalgumas formas de consenso”.

“São da maior relevância os princípios da doutrina social da Igreja que devem inspirar a temática do salário justo como forma de superar a pobreza. Esses princípios partem do primado da pessoa. A economia, a empresa e o trabalho devem servir as pessoas, e não o contrário. A justiça do salário não decorre necessariamente do consentimento das partes e das regras do mercado”, acrescenta o comunicado hoje divulgado.

Segundo a Comissão Nacional Justiça e Paz, “a criação e manutenção de postos de trabalho é uma forma de concretizar a função social da propriedade privada e o destino universal dos bens. No combate à pobreza, é fundamental a criação de empregos justamente remunerados, mais do que a atribuição de subsídios estatais”.

A Conferência Anual da CNJP é realizada a partir das 09:30 de sábado, no Centro Cultural Franciscano, em parceria com a Cáritas Portuguesa, Movimento de Trabalhadores Cristãos (LOC-MTC), Juventude Operária Católica (JOC), Associação Cristã de Empresários e Gestores (ACEGE), Ação Católica Rural (ACR) e o Movimento Católico de Profissionais (Metanoia).

“Rendimento Condigno em Portugal” e “Salários Justos Contra a Pobreza” serão dois dos temas em debate nos trabalhos abertos pelo bispo de Santarém e presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana, José Traquina.
Lusa

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