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Proporção de cesarianas programadas quadruplicou no ano passado
Foto: Unsplash
Sociedade 21 jul, 2026, 13:27

Proporção de cesarianas programadas quadruplicou no ano passado

A proporção de cesarianas programadas quadruplicou no ano passado, segundo dados da Entidade Reguladora da Saúde (ERS), que mostram um peso total de 41,3% destas cesarianas, que no privado ultrapassam os 55%.

A ERS analisou a atividade das unidades de obstetrícia e neonatologia em Portugal continental no ano de 2025, com base nos relatórios das unidades do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e do setor não público, contabilizando um total de 83.089 partos, um crescimento de 3,6% face ao ano anterior.

As regiões de Lisboa e Vale do Tejo (LVT) e Norte concentraram 78% de todos os partos, a grande maioria dos quais ocorreu no SNS (80%).

Quanto à proporção de partos por cesariana, os dados da ERS indicam que no ano passado foram 39,1%, valor ligeiramente superior a 2024 (38,7%), que tinha já registado uma pequena subida face a 2023 (38,2%).

Dentro e fora do SNS, a nível regional, a região Centro é a que tem a menor proporção de partos por cesariana (29%).

Os dados mostram ainda um aumento significativo na proporção de cesarianas programadas no global, que passaram de 10,2% em 2024 para 41,3% no ano passado.

Fora do SNS, a proporção de cesarianas é mais elevada (62%), mas reduziu ligeiramente face a 2024 (63,4%). Contudo, houve um aumento significativo nas cesarianas programadas, que passaram de 10,2% em 2024 para mais de metade ( 55,3%) no ano passado.

A proporção de cesarianas urgentes também subiu fora do SNS, passando de 38,8% para 42,3%. No sentido contrário, a proporção de cesarianas emergentes fora do serviço público caiu a pique: passou de 51% para 2,3%.

Nas unidades do SNS, a percentagem total de partos por cesariana é quase metade do privado, com 33,3%, mas também aqui as programadas subiram (de 10,2% para 28,7%), o mesmo acontecendo com as cesarianas consideradas urgentes (de 35,6% para 67%). No sentido oposto, o peso das cesarianas emergentes, que tinham disparado de 7,5% (2023) para 54,2% (2024), caiu a pique para 4,3%.

Segundo a norma da Direção Geral da Saúde, a cesariana urgente quando há uma condição clínica que precisa de resolução num curto intervalo de tempo, mas sem perigo iminente de saúde para o feto e/ou para a parturiente, ao contrário da cesariana emergente, onde esse perigo existe e pode ser reduzido se a cirurgia for realizada “o mais brevemente possível”.

No caso particular das unidades do SNS predominaram as cesarianas urgentes ou emergentes (71%) enquanto nas unidades não públicas preponderaram as cesarianas programadas (55%).

As cesarianas devem também ser classificadas quanto à ausência ou fase do trabalho do parto. Neste sentido, 58% de todas as cesarianas ocorreram em ausência de trabalho de parto – 52% nas unidades do SNS e 62% nas unidades não públicas.

Lusa

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