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Promoção da caça do coelho bravo no Porto Santo preocupa ambientalistas
Sociedade 31 mar, 2017, 14:58

Promoção da caça do coelho bravo no Porto Santo preocupa ambientalistas

Foi enviada uma carta aberta ao Governo Regional a pedir a revisão da medida

Associações ambientalistas transmitiram hoje apreensão perante a decisão de promover a população de coelhos na ilha do Porto Santo para caça, e pediram ao Governo Regional da Madeira um estudo para avaliar benefícios e desvantagens.

A Coligação C6, que reúne seis associações de defesa do ambiente, revelou "um claro sinal de apreensão com o anúncio da intenção do Governo Regional, em promover novamente a população de coelhos na ilha do Porto Santo", com o argumento da procura para satisfazer necessidades associadas à atividade cinegética.

Os ambientalistas enviaram uma carta aberta ao Governo Regional salientando que a medida, sem um estudo, "irá contra todo o esforço de combate à erosão do solo e degradação dos ecossistemas desenvolvido até agora".

"Poderá tratar-se de uma oportunidade única de recuperação dos ecossistemas – habitats, espécies e erosão do solo — em equilíbrio com uma gestão cinegética equilibrada e socialmente importante, sendo um erro desperdiçar uma oportunidade histórica de aplicar uma gestão ecológica ativa", alertaram.

Em janeiro, o Governo da Madeira anunciou que estava a preparar o repovoamento do Porto Santo de coelhos bravos depois da mortandade registada no final de 2016.

Na altura, era explicado que o coelho bravo é a principal espécie cinegética da Madeira, fazendo parte da cadeia alimentar de outras espécies, pelo que a secretaria regional do Ambiente e Recursos Naturais, através do Instituto das Florestas e Conservação da Natureza (IFCN, IP-RAM), procedeu, no início de dezembro, à captura de alguns animais na Madeira, visando repovoamentos, na ilha do Porto Santo.

Agora, considerando que a caça "é uma atividade socialmente relevante que resulta melhor em equilíbrio com a saúde dos ecossistemas", a C6 pede às autoridades regionais que promovam um estudo a avaliar "os prós (benefícios sociais e ambientais) e contras (perda de solo e biodiversidade, degradação da paisagem e outros) nestes ecossistemas insulares, apontando soluções equilibradas que enfrentem os grandes riscos ecológicos desta decisão".

Os ambientalistas consideram que o Porto Santo apresenta "sinais de degradação ambiental devida à sobre-exploração histórica dos seus ecossistemas" e que uma sobrepopulação de coelhos persistiu na ilha até ao final do século XX, contribuindo para o declínio constante dos ecossistemas.

Recordam a importância do Porto Santo para a conservação da biodiversidade, com cerca de 1.500 espécies, 250 das quais endémicas, e a recuperação dos habitats iniciada devido ao "alívio da pressão de consumo de alimento por parte dos coelhos sobre os ecossistemas, à incidência da mixomatose e da chamada ‘virose hemorrágica’".

"Acresceram ações conscientes de tentativa de erradicação das populações de coelhos por parte do Governo Regional em funções na altura (tal como a erradicação das cabras das Ilhas Desertas), através de projetos LIFE financiados pela União Europeia", salientou ainda a C6.

A C6 junta a WWF Portugal, a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), a Liga para a Proteção da Natureza (LPN), o Grupo de Estudos e Ordenamento do Território e Ambiente (GEOTA), o Fundo para a Proteção de Animais Selvagens (FAPAS) e a Quercus.

LUSA

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