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Imagem de Portugueses deixaram Venezuela por falta de condições para vida digna – Cáritas
Sociedade 12 set, 2018, 15:26

Portugueses deixaram Venezuela por falta de condições para vida digna – Cáritas

Uma responsável da Cáritas venezuelana, a irmã Maria José González, disse hoje, em Lisboa, que muitos portugueses deixaram a Venezuela por falta de condições para manter uma “vida digna” no país, que atravessa uma crise económica e social.

“Os que vieram para Portugal não são os mais pobres do país. Encontram-se vulneráveis porque não têm recursos para se manter com um nível digno de vida. Por isso, emigram à procura de uma boa educação e de garantia de alimentação, saúde e bem-estar”, disse Maria José González em entrevista à agência Lusa.

A religiosa, que é diretora da Cáritas de Los Teques, capital do Estado de Miranda, está em Portugal desde 03 de setembro, tendo visitado as comunidades de portugueses regressados da Venezuela, na Madeira, Aveiro e Lisboa.

Segundo Maria José González, a crise está a afetar toda a gente, mesmo uma comunidade tradicionalmente reconhecida pelo seu poder económico.

“A comunidade portuguesa trabalhou muito na Venezuela, conseguiu meios de vida, empresas nos setores agrícola, da panificação ou da construção e foi afetada pela perda de poder de compra e pela falta de divisas, o que levou ao encerramento de muitas empresas”, adiantou.

Assinalou também a existência de expropriações por parte do Estado.

“Tudo isso afetou a comunidade, que tinha uma vida no mundo empresarial venezuelano, e levou à migração e à mudança das empresas para Portugal, Brasil e outros países”, disse.

Segundo Maria José González, os que saíram estão à procura de refazer as suas vidas em Portugal, onde a aprendizagem da língua, o reconhecimento das habilitações literárias e a procura de casa e emprego são os principais desafios.

“A maioria são pessoas de nacionalidade portuguesa, mas que têm a necessidade de aprender a língua. Os que vêm são os filhos e netos dos que emigraram há muito tempo porque os mais velhos não querem vir”, disse.

Para a responsável da Cáritas, a “aprendizagem da língua é um desafio” e o pensamento geral é de regresso à Venezuela quando a situação melhorar.

“Alguns abriram negócios e criaram postos de trabalho para os locais, mas os que chegaram ultimamente têm dificuldade em encontrar um trabalho”, disse.

O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva, disse recentemente que o fluxo estabilizou, estimando em menos de 10 mil os cidadãos portugueses e luso-venezuelanos regressados da Venezuela para Portugal.

LUSA

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