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Portugal tem registo de sete combatentes voluntários, nenhuma morte
Sociedade 17 jun, 2022, 22:02

Portugal tem registo de sete combatentes voluntários, nenhuma morte

Portugal tem registo de sete cidadãos nacionais que foram para a Ucrânia como “combatentes voluntários” e nenhuma morte, indicou hoje o Ministério dos Negócios Estrangeiros, após o anúncio pelo exército russo de 19 “mercenários” portugueses mortos no terreno.

“Há registo de sete cidadãos nacionais que contactaram os serviços do Ministério dos Negócios Estrangeiros informando da sua deslocação para a Ucrânia a título de ‘combatente voluntário’. Não há registo de mortes”, disse o MNE à Lusa.

O exército russo indicou hoje que, dos cerca de 7.000 combatentes estrangeiros na Ucrânia, há 68 portugueses no terreno a combater ao lado dos ucranianos e 19 foram já mortos pelas forças russas.

Portugal figura numa tabela com o número de combatentes estrangeiros que o Ministério da Defesa da Rússia divulgou hoje, onde se lê que, desde o início da guerra, a 24 de fevereiro, chegaram à Ucrânia 103 combatentes portugueses, dos quais 19 foram “eliminados”, e 16 já deixaram o país.

O MNE português reiterou hoje igualmente que “dada a situação vivida naquele país, deverá ser evitado qualquer tipo de deslocação para a Ucrânia”, acrescentando que “os cidadãos que por qualquer motivo tenham, ainda assim, de o fazer deverão sinalizar a deslocação junto do Gabinete de Emergência Consular”.

Segundo os números da Rússia, cerca de 7.000 “mercenários estrangeiros” de 64 países chegaram à Ucrânia desde o início do conflito, e quase 2.000 destes foram mortos pelas forças russas.

"As nossas listas, de 17 de junho, incluem mercenários e especialistas em armas de um total de 64 países. Desde o início da operação militar especial, 6.956 chegaram à Ucrânia, 1.956 já foram eliminados e 1.779 saíram" do país, referiu o Ministério da Defesa russo em comunicado.

Desde o início da invasão russa da Ucrânia, milhares de voluntários estrangeiros, principalmente europeus, viajaram para o país para ajudar as forças de Kiev.

A Rússia apresenta esses combatentes como "mercenários", um termo pejorativo que sugere que estes são motivados pelo dinheiro.

Os separatistas pró-russos condenaram três destes combatentes à morte, dois britânicos e um marroquino.

Por seu lado, a Ucrânia e os seus aliados ocidentais sublinham que, se há mercenários, estes estão do lado russo, em particular no grupo Wagner, cujos elementos foram deslocados da Síria para a Líbia, via Mali.

A ofensiva militar russa na Ucrânia causou já a fuga de mais de 15 milhões de pessoas de suas casas – mais de oito milhões de deslocados internos e mais de 7,7 milhões para os países vizinhos -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Também segundo as Nações Unidas, cerca de 15 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia.

A invasão russa – justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de “desnazificar” e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia – foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e a imposição à Rússia de sanções que atingem praticamente todos os setores, da banca ao desporto.

A ONU confirmou que 4.509 civis morreram e 5.585 ficaram feridos na guerra, que hoje entrou no seu 114.º dia, sublinhando que os números reais poderão ser muito superiores e só serão conhecidos quando houver acesso a zonas cercadas ou sob intensos combates.

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