“Até ao momento, foram encontrados 19 corpos”, disse o porta-voz da polícia, Abi Narayan Kafle, citado pela agência francesa AFP, dando conta de mais três vítimas em relação ao balanço anterior.
“Estamos a coordenar as operações de salvamento e socorro. Muitos membros da nossa força também estão incontactáveis”, acrescentou.
No parlamento em Katmandu, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Shishir Khanal, atribuiu a inundação a um bloqueio do rio causado por um deslizamento de terra após um sismo.
“Ocorreu um sismo às 08h37 [03h52 em Lisboa] de hoje e, devido a isso, produziu-se um grande deslizamento de terra que bloqueou o rio, o que parece ter causado a inundação”, afirmou Khanal, citado pelo jornal local Ratopati.
O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) registou às 02h52 TMG (08h37 em Katmandu) um sismo de magnitude 4,4, com epicentro a cerca de 77 quilómetros a noroeste da localidade nepalesa de Kodari.
A Junta de Turismo do Nepal (NTB, na sigla em inglês) anunciou que pelo menos 384 viajantes figuram como desaparecidos após a inundação no distrito de Rasuwa, na província de Bagmati.
Entre os desaparecidos estão 93 nepaleses e 291 estrangeiros, de acordo com um levantamento elaborado a partir de dados de várias agências de viagens, noticiou a agência espanhola EFE.
O grupo de estrangeiros inclui 105 indianos, 17 malaios, 12 britânicos, quatro sul-africanos, três norte-americanos, um australiano e um neerlandês, enquanto as autoridades tentam confirmar a nacionalidade das restantes pessoas.
A vaga de água atingiu por volta das 09h15 locais (04h30 em Lisboa) o rio Bhotekoshi a partir da zona tibetana, afetando com particular gravidade as localidades de Timure, Rasuwagadhi e Syabrubesi, disseram fontes oficiais.
As inundações provocaram ainda danos em estradas, mercados, povoações e projetos hidroelétricos, obrigando ao destacamento de helicópteros e equipas de socorro para as operações de busca e salvamento.
Várias horas depois da tragédia, as autoridades nepalesas continuavam a avaliar a dimensão dos estragos e a tentar localizar as pessoas desaparecidas.
Do lado da China, o Presidente Xi Jiping ordenou que fossem mobilizados todos os meios para socorrer as populações afetadas, embora as autoridades ainda não tenham referido quaisquer dados sobre possíveis vítimas.
Imagens divulgadas pela televisão pública chinesa CCTV mostram águas turbulentas a arrastar ramos e detritos, bem como uma estrada inundada.
Lusa