Deixa uma obra vasta, com cerca de 40 livros editados em todo o mundo. Foi o vencedor do Prémio Camões em 2007.
António Lobo Antunes nasceu a 1 de setembro de 1942, na freguesia de Benfica, em Lisboa, no seio de uma família de alta burguesia. O pai foi um destacado neurologista português.
Estudou no Liceu Camões e licenciou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, em 1969. A escolha do curso universitário “foi para dar prazer aos pais que entendiam que devia ter uma enxada”, contou à Lusa.
Lobo Antunes especializou-se em Psiquiatria, depois do regresso da Guerra Colonial.
Embarcou para Angola em 1970, tendo regressado em 1973. Em 1979 publicou os seus primeiros livros, “Memória de Elefante” e “Os Cus de Judas”, seguindo-se, em 1980, “Conhecimento do Inferno”. As primeiras obras são marcadamente biográficas e estão muito ligadas ao contexto da Guerra Colonial; imediatamente o transformaram num dos autores contemporâneos mais lidos e discutidos, no âmbito nacional e internacional.
A obra seguinte, “Explicação dos Pássaros”, de 1981, também marcada pela prática da psiquiatria, da angústia e crueldade das personagens, confirmava a perspetiva de algo novo a acontecer, o que foi reafirmado por “Fado Alexandrino”, de 1983, e consagrado com a atribuição do Grande Prémio do Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores (APE), ao sexto título, “Auto dos Danados” (1985). O público desde cedo demonstrara apreço pela obra, tornando-o um dos autores mais lidos de língua portuguesa, o que nem sempre facilitou a crítica da época nos momentos iniciais do seu percurso.
Posteriormente, chegou o reconhecimento no estrangeiro, com a edição dos romances em países europeus, como Espanha, França, Alemanha, Itália e Reino Unido, a que se juntaram os mercados livreiros do Brasil, Estados Unidos e Canadá.
Em 1987, o Prémio Literário Franco-Português foi atribuído à tradução francesa do romance “Os Cus de Judas”. Foi o primeiro prémio de dimensão internacional que o escritor recebeu ao longo de 45 anos de carreira literária, distinguida em 2007 com o Prémio Camões, atribuído em conjunto por Portugal e Brasil.
António Lobo Antunes exerceu Medicina no Hospital Miguel Bombarda, em Lisboa, passando a partir de 1985 a dedicar-se à escrita, pois não tinha muito mais tempo para outras coisas. “Um escritor tem de escrever”, sustentou, acrescentando: “Escrever é muito difícil” e “exige humildade”.
Manteve, porém, uma rotina no hospital, durante mais de uma década, onde ia uma vez por semana, “para não ficar maluco”, como disse ao Estado de S. Paulo, em 1996. “Escrever é um ato esquizofrénico, que se pratica sozinho, entre quatro paredes, sem testemunhas. É um ato enlouquecedor. (…) Em 1980, já percebia que não poderia conciliar as duas atividades. Fui abandonando lentamente a psiquiatria e só não a abandono de vez para conservar a sanidade.”