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Médico responsável pela Unidade de Medicina Nuclear da Madeira foi dispensado
Sociedade 21 mar, 2019, 20:39

Médico responsável pela Unidade de Medicina Nuclear da Madeira foi dispensado

O Serviço de Saúde da Madeira (SESARAM) anunciou hoje que o médico responsável pela Unidade de Medicina Nuclear da região, Rafael Macedo, “foi dispensado”, justificando a decisão com as “faltas injustificadas” dadas pelo clínico.

“O SESARAM informa que a partir de hoje, 21 de março, o médico Rafael Macedo foi dispensado da realização de exames na Unidade de Medicina Nuclear do SESARAM, pelo facto de não estarem reunidas as condições de serenidade, estabilidade, tranquilidade e confiança no serviço”, pode ler-se na informação distribuída na região.

Rafael Macedo, responsável pelo referido serviço, gerou uma polémica na Madeira depois de denunciar que estavam a ser encaminhados pacientes da unidade instalada no Hospital do Funchal para fazer exames numa clínica privada, enquanto a instalada no hospital, inaugurada em 2013 e certificada em 2017, estava "praticamente parada".

Esta situação levou à criação de uma comissão de inquérito na Assembleia Legislativa da Madeira, tendo este médico, durante a sua audição, que decorreu quarta-feira, acusado "alguns colegas" de "forte negligência" e de fornecerem tratamentos que "não são adequados".

Perante os deputados, ainda apontou deficiências nas fichas clínicas e no registo de doentes, informando haver denunciado “várias irregularidades” à Ordem dos Médicos.

“De modo a salvaguardar a realização dos exames, o SESARAM encontrou alternativas [à dispensa de Rafael Macedo], nomeadamente através da colaboração de dois médicos do continente português que irão deslocar-se à Região Autónoma da Madeira”, anuncia o serviço no mesmo comunicado.

Na mesma nota, o governo madeirense justifica a decisão com as “faltas injustificadas do referido médico, sem qualquer justificação ou informação aos seus superiores hierárquicos”, o que motivou que fosse “cancelada a atividade programada” nos últimos quatro dias naquele serviço.

“Esta situação motivou o cancelamento de 18 exames”, complementa o SESARAM, argumentando que, “por razões várias, nomeadamente ausências ou férias, o médico em causa [Rafael Macedo] procede ao cancelamento e/ou à não marcação de exames, alguns deles de caráter urgente”.

O SESARAM salienta que “sempre que um profissional falte ao seu serviço e não havendo outro que o substitua é boa prática salvaguardar o bem-estar dos utentes, prevenindo deslocações ao Serviço Regional de Saúde sem a certeza do seu atendimento”.

Ainda menciona que, nos dias 21 e 22 de março foi necessário “reprogramar 11 exames para a próxima semana”, assegurando que “nenhum dos exames cancelados tem caráter urgente”.

Também sublinha que esta reprogramação “foi articulada com as diferentes especialidades médicas que solicitaram os referidos exames” e que o reagendamento “não implica qualquer prejuízo da situação clínica dos utentes”.

O SESARAM considera que, “com a vinda dos médicos especialistas de Medicina Nuclear do continente português, está garantida a continuidade da atividade clínica e salvaguardada a segurança e bem-estar dos utentes”.

Outro aspeto referido na informação é que “por motivos de segurança têm vindo a ser substituídos alguns canhões de fechadura, em vários espaços da Unidade Hospitalar”, sendo que esta medida abrange a Unidade de Medicina Nuclear.

“Esta medida em nada irá comprometer a entrada e saída dos profissionais, inclusive os afetos à Unidade de Medicina Nuclear”, assegura o serviço.

À semelhança do que aconteceu na conferência de imprensa realizada hoje sobre esta situação, o SESARAM reitera ser “inequívoca a idoneidade e competências dos profissionais de saúde do Serviço de Saúde da Madeira, que todos os dias, 24 horas por dia, asseguram com a maior dedicação, competência e zelo a prestação de cuidados de saúde aos utentes”.

Contactado pela agência Lusa, o médico Rafael Macedo assegurou desconhecer a suspensão, nada lhe tendo sido comunicado “por mail, carta ou contacto telefónico”.

“Não sei de nada. Penso que são manobras de diversão do Governo Regional para exercer alguma pressão e assédio moral para eu parar de denunciar todos aqueles aspetos que têm sido declarados na comissão de inquérito da Assembleia da Madeira”, declarou.

Rafael Macedo considerou que “toda aquela gente [que tem sido ouvida em sede de comissão parlamentar] mente porque sempre viveram do sistema, enviando doentes do público para o privado”, concluiu.

LUSA

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