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NO AR
Mais de três mil iranianos mortos nos bombardeamentos
Foto: Reuters
Sociedade 15 mar, 2026, 18:50

Mais de três mil iranianos mortos nos bombardeamentos

Pelo menos 3.040 pessoas, na maioria civis, morreram em resultado dos ataques aéreos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão desde 28 de fevereiro, segundo uma contagem divulgada hoje pela organização iraniana de direitos humanos HRANA.

O número inclui 1.319 civis, dos quais 206 eram menores de idade, além de 1.122 militares, de acordo com Agência de Notícia de Ativistas de Direitos Humanos (HRANA), sediada nos Estados Unidos, usando relatórios oficiais de autoridades de saúde, de emergência e defesa civil e de outras fontes no Irão.

Outras 599 mortes foram confirmadas pela organização, mas as suas identidades não puderam ser determinadas.

Do total, refere a HRANA, 21 pessoas morreram nas últimas 24 horas, todas civis, incluindo um menor, em 285 ataques em 18 das 31 províncias iranianas.

Pela primeira vez em 16 dias de bombardeamentos, Teerão não lidera a lista das províncias mais atingidas e ocupa o segundo lugar, atrás da província de Isfahan, no centro do país e onde no sábado as autoridades locais registaram 15 mortos num ataque contra um centro industrial.

Os últimos números divulgados pelo Ministério da Saúde iraniano indicam 1.200 mortos e cerca de 10 mil feridos.

A HRANA foi uma das organizações que procurou apurar com precisão a dimensão da violenta repressão dos protestos antigovernamentais na República Islâmica ao longo de janeiro.

No mês passado, divulgou que pelo menos 7.002 pessoas morreram ou desapareceram durante as manifestações, um número que respeita a casos que conseguiu confirmar, mais do dobro das 3.117 reconhecidas oficialmente, a que se somam acima de 50 mil detidos.

A vaga de protestos foi iniciada em 28 de dezembro em Teerão por comerciantes e setores económicos afetados pelo colapso do rial, a moeda nacional, e pela elevada inflação, alastrando-se depois a centenas de cidades do país.

No seguimento da revolta popular contra a teocracia de Teerão, o Presidente norte-americano, Donald Trump, prometeu aos manifestantes iranianos que a ajuda estava “a caminho”.

Desde a ofensiva conjunta com Israel, Trump tem sido mais cauteloso sobre o objetivo de mudar o regime e, tal como o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, tem repetido que os ataques militares servem para criar condições para que os iranianos se levantem contra as autoridades nacionais.

O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, disse hoje que o seu país “não vê razões para negociar” com os Estados Unidos, depois de Trump ter indicado que Teerão deseja um acordo para terminar a guerra.

O Presidente norte-americano também afastou de novo no sábado a possibilidade de um acordo com o Irão neste momento.

“O Irão quer fazer um acordo, e eu não quero, porque os termos do acordo ainda não são suficientemente bons”, declarou, em entrevista à cadeia NBC.

O Irão rejeitou até agora qualquer discussão para estabelecer um cessar-fogo neste conflito que se alastrou a toda a região e reacendeu a guerra no Líbano, depois de o grupo xiita Hezbollah ter partido em apoio do seu aliado de Teerão e começado a atacar Israel.

Em resposta à ofensiva iniciada em 28 de fevereiro, o Irão lançou ataques com mísseis e drones contra Israel e contra os países vizinhos, visando em particular bases militares e outros interesses norte-americanos mas também infraestruturas económicas, sobretudo energéticas.

Ao mesmo tempo, colocou sob ameaça militar o Estreito de Ormuz, por onde passam 20% do petróleo mundial, fazendo disparar o preço do barril para cerca de cem dólares.

Na sexta-feira, alguns dos principais líderes do regime iraniano marcharam no centro de Teerão em desafio dos ataques israelo-americanos, mas não o novo líder supremo.

Mojtaba Khamenei foi ferido, segundo vários relatos de fontes ligadas ao regime iraniano, no mesmo bombardeamento que matou o seu pai e antecessor, Ali Khamenei, e não é visto em público há vários dias.

O chefe da diplomacia de Teerão disse, no sábado, que “não há qualquer problema” com Mojtaba Khamenei, que “está a cumprir os seus deveres de acordo com a Constituição e continuará a fazê-lo”.

Lusa

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