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Imagem de Mais de 70% dos madeirenses consome bebidas alcoólicas
Foto: REUTERS/Max Rossi
Sociedade 3 abr, 2024, 16:54

Mais de 70% dos madeirenses consome bebidas alcoólicas

A taxa de consumidores abusivos ou dependentes de álcool mais do que triplicou desde 2017, segundo um estudo nacional sobre substâncias psicoativas, que regista cerca de 259 mil casos em Portugal em 2022.

Em 2022, 3,5% da população entre os 15 e os 74 anos era consumidora abusiva ou dependente de álcool, “o que representa, aproximadamente, 259.000 indivíduos”, revela o relatório final do V Inquérito Nacional ao Consumo de Substâncias Psicoativas na População Geral, Portugal 2022, divulgado hoje pelo Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências (ICAD).

Através de um questionário com apenas quatro perguntas, os investigadores avaliaram o uso abusivo e dependência de álcool e concluíram que este é um problema que tem vindo a aumentar desde 2012.

Em 2012, estes casos representavam 0,8% da população, tendo subido para 1% em 2017 e agora para 3,5%, segundo o relatório, que mostra que a situação é bastante mais grave entre os homens (5,9%) do que entre as mulheres (1,3%).

O consumo abusivo ou dependente aumenta também com a idade, sendo particularmente expressivo entre os 35 e os 64 anos.

Também aumentaram os episódios de consumos excessivos, conhecidos como “binge”, ou seja, de pelo menos seis bebidas para os homens e quatro para as mulheres, segundo o resultado das entrevistas realizadas entre setembro de 2021 e novembro de 2022.

Uma em cada dez pessoas (10,3%) admitiu ter tido pelo menos um desses comportamentos excessivos no último ano, sendo mais habitual entre os homens e na população entre os 25 e os 44 anos.

Há também mais casos em que os inquiridos ficaram “a cambalear, com dificuldade em falar, a vomitar e ou sem se recordarem do que aconteceu depois de terem bebido”. Mais uma vez, estes são episódios mais comuns entre homens e jovens entre os 15 e os 34 anos.

O estudo mostra ainda que é aos 16 anos que os jovens começam a beber e que mais de metade (59,2%) dos jovens entre os 15 e os 24 anos já consumiu ou consome álcool com alguma regularidade (40% disse tê-lo feito no último mês).

O principal motivo para um consumo frequente é a “sensação e o gosto do efeito provocado pela bebida”, havendo quem associe o álcool à diversão, acreditando por isso que vai “melhorar festas e comemorações” e “tornar os encontros sociais mais divertidos”.

Por outro lado, um quarto da população é abstinente: Entre as mulheres, a taxa sobe para os 35 % e entre os homens desce para os 15 %, revela o estudo que mostra que a percentagem de abstinentes também aumentou 10 pontos em relação a 2017.

Questionados sobre as razões que os levaram a não beber, os inquiridos apontaram como principais motivos a falta de interesse e a consciência sobre as consequências para a saúde.

Estar grávida ou a amamentar ou estar a tomar medicação são outras das justificações.

O relatório apresenta ainda motivos associados à educação e socialização: 26% considerou muito importante ter visto maus exemplos decorrentes do consumo de bebidas alcoólicas e 23,8% apontou ter sido educado para não beber.

Quase 50% dos abstémios apontaram questões financeiras – ser caro ou ser um desperdício de dinheiro – para não beber.

No entanto, fora deste universo, há 75,8% da população que admite consumir álcool, dos quais 30% o fazem diariamente.

O vinho é a bebida de eleição, seguida da cerveja e das bebidas espirituosas.

É no norte que o consumo é mais elevado: 81,9% dos residentes disse já ter bebido, dos quais 68,5% no último ano e 59,9% no último mês.

As outras regiões com maiores consumos ao longo da vida são o centro (74%), Lisboa e Vale do Tejo (71,7%) e a Madeira (71,2%). Por oposição, o arquipélago dos Açores surge como a região com menor incidência (51,9%).

O inquérito foi realizado pelo CICS.NOVA – Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais da Universidade Nova de Lisboa (NOVA FCSH) para o SICAD – Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências, na sequência dos estudos realizados em 2001, 2007, 2012 e 2017.

Lusa

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