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Sociedade 05 jul, 2018, 19:45

Madeira tem 170 precários na Administração Pública Regional

O vice-presidente do Governo Regional, Pedro Calado, disse hoje que, entre os 19.148 trabalhadores na Administração Pública Regional, apenas foram verificadas 170 situações de precariedade na Madeira (Vídeo)

Pedro Calado fez esta observação durante o debate potestativo na Assembleia Legislativa, requerido pelo PCP, subordinado ao tema "Valorizar os trabalhadores, combater a precariedade laboral no setor público e no setor privado".

"Se na Administração pública central os dados do SIEP [Síntese Estatística do Emprego Público] revelam que, no primeiro trimestre de 2018 foram detetadas cerca de 28.265 situações de precariedade (contratos a termo e contratos de prestação de serviços), no universo da administração pública regional da Madeira, de 19.148 trabalhadores, apenas se verificaram 170 situações, sendo que cerca de 40 são referentes a contratos a termo, que visam suprir necessidades transitórias de serviço", disse.

O vice-presidente revelou ainda que dos cerca de 170 trabalhadores que serão integrados nos quadros da Administração regional, 115 são do Serviço de Saúde da Região Autónoma da Madeira e os restantes trabalhadores de empresas públicas como a ARM – Águas e Resíduos da Madeira, a Empresa de Eletricidade da Madeira e da Investimentos Habitacionais da Madeira.

Lembrou ainda que, em 2017, o Governo Regional já tinha regularizado "cerca de 50 situações ao nível das carreiras de enfermagem e de assistentes administrativos".

A secretaria regional da Inclusão e Assuntos Sociais, Rita Andrade, que também participou no debate, disse, por seu lado, que a ação inspetiva do Governo Regional da Madeira fez regularizar, entre 2016 e 2018, 365 situações de trabalho precário no arquipélago.

"Em 375 situações de inspeção realizadas entre 2016 e 2018, 365 foram regularizadas, o que corresponde a uma taxa de 97% de regularização, em que os trabalhadores passaram a efetivos nas empresas em que se encontravam a trabalhar", disse a governante.

Rita Andrade acrescentou que "à precariedade laboral, o Governo Regional, através da ação inspetiva promovida pela Direção Regional de Trabalho e Ação Inspetiva, tem combatido estes casos sempre que denunciados ou detetados de forma proativa, em ações inspetivas de iniciativa própria".

A secretária regional observou, por isso, que o Governo Regional tem combatido "o trabalho não declarado, tem combatido a utilização indevida do contrato de prestação de serviços e a dissimulação de contratos de trabalho a termo (certo ou incerto) recorrendo a todos os meios legais ao seu dispor".

O deputado do PCP Ricardo Lume, citando dados estatísticos, sublinhou que "mais de 19 mil trabalhadores têm vínculos precários, ou seja, 20% dos madeirenses que têm trabalho são precários".

Ricardo Lume lembrou, a propósito, que, em média, "um trabalhador com vínculo laboral precário recebe menos 30% a 40% de salário que um trabalhador com vínculo efetivo, assim como um trabalhador com contrato a prazo está mais vulnerável a ser confrontado com o desemprego".

O deputado indicou como "campeões da precariedade" no privado os setores da hotelaria, telecomunicações, portos, aeroportos e as grandes superfícies.

"Os falsos recibos verdes, os vínculos precários, o trabalho à hora, os programas de ocupação de desempregados e as baixas remunerações são fatores que arrastam milhares de trabalhadores para a pobreza", observou.

Os partidos da oposição consideraram a precariedade um fator de instabilidade e incerteza na vida dos trabalhadores e das famílias e exigiram mais e melhor fiscalização, mais atuação e combate "com veemência" a este fenómeno.

LUSA

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