Os dados mostram que o corte da Internet continua há 48 horas no Irão, escreveu a ONG na rede social X.
Na quinta-feira, as autoridades cortaram a Internet e o sinal de telemóveis em todo o país, na sequência de uma grande manifestação em Teerão e depois de terem sido publicados nas redes sociais vídeos que mostravam uma multidão em protesto.
Com a Internet em baixo e as linhas telefónicas cortadas, acompanhar as manifestações a partir do estrangeiro tornou-se difícil, mas, de acordo com a ONG Agência de Notícias dos Ativistas pelos Direitos Humanos, o número de mortos nos protestos subiu para pelo menos 65 pessoas, registando-se também cerca de 2.300 detidos.
Alguns órgãos de comunicação social estatais e semioficiais continuam, no entanto, a publicar ‘online’ e a estação de notícias do Qatar, Al-Jazeera, transmitiu em direto do Irão, mas parece ser o único grande meio de comunicação social estrangeiro capaz de operar.
Entretanto, a bandeira da República Islâmica do Irão foi brevemente substituída por uma bandeira do antigo regime monárquico na fachada da embaixada iraniana em Londres por um manifestante durante um protesto, que juntou várias centenas de pessoas, em apoio ao movimento em curso no país, disseram testemunhas à France-Presse.
Um vídeo divulgado nas redes sociais mostra um homem na varanda do edifício, localizado perto do Hyde Park, no centro da capital, a retirar a bandeira da República Islâmica sob aplausos e a substituí-la por uma bandeira adornada com um leão e um sol, símbolos da monarquia.
A antiga bandeira permaneceu no local durante vários minutos antes de ser retirada, de acordo com vários testemunhos.
O procurador-geral do Irão avisou que qualquer pessoa que participe em protestos, como os que há vários dias contestam o regime do país, será considerada “inimiga de Deus”, acusação punível com pena de morte.
A declaração do procurador-geral do Irão, Mohammad Movahedi Azad, foi divulgada pela televisão estatal iraniana, concretizando a ameaça avançada na sexta-feira pelo líder supremo, ‘ayatollah’ Ali Khamenei, de que o país “ia iniciar” uma repressão.
Os protestos em quase todo o Irão começaram no dia 28 de dezembro, inicialmente contra o custo de vida e a inflação galopante, num país sujeito a sanções económicas dos Estados Unidos e da ONU, mas têm-se vindo a intensificar e transformaram-se numa contestação política contra o regime.
Lusa