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Estudo identifica mais de 600 novos genes associados à esquizofrenia
Foto: Unsplash
Sociedade 22 jun, 2026, 17:56

Estudo identifica mais de 600 novos genes associados à esquizofrenia

Um estudo envolvendo mais de 60 hospitais psiquiátricos em todo o mundo permitiu descobrir como as redes de genes comunicam através do cérebro e identificar 641 novos genes associados à esquizofrenia, foi hoje divulgado.

Investigadores do Instituto Lieber para o Desenvolvimento Cerebral da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, e um consórcio de colaboradores da Universidade de Bari, em Itália, analisaram dados genéticos de mais de 100 mil indivíduos e amostras de tecido cerebral de seis regiões do cérebro de centenas de dadores.

Segundo os cientistas, os métodos tradicionais para associar genes a doenças apenas examinam variantes nas imediações dos genes em causa, embora se saiba que a maior parte do envolvimento destes numa doença depende de variantes de longo alcance.

Numa abordagem inovadora, a equipa de investigação do estudo, publicado hoje na revista Nature Genetics, “desenvolveu novos modelos computacionais que apreendem as relações regulatórias de longo alcance entre os genes, de forma semelhante ao modo como as redes sociais ligam pessoas que não vivem perto umas das outras”, indica a agência noticiosa espanhola EFE.

“A maioria dos estudos genéticos centrou-se em encontrar a luz debaixo do poste, dando apenas atenção aos genes próximos das variantes de ADN associadas a doenças”, disse o investigador Giulio Pergola, do Instituto Lieber para o Desenvolvimento Cerebral, autor sénior do trabalho.

“Ao incorporar redes de coexpressão genética, essencialmente acendemos as luzes em toda a vizinhança, revelando como as variantes genéticas distantes se coordenam para construir a base genética da esquizofrenia”, explicou citado pela EFE.

As descobertas apontam para vias biológicas envolvidas na sinalização do glutamato (neurotransmissor), na comunicação entre células cerebrais, nos processos imunitários e no desenvolvimento cerebral, o que pode ajudar a orientar a investigação futura sobre novas estratégias de tratamento desta doença mental.

“Este trabalho demonstra que o risco de esquizofrenia não se limita a genes individuais que atuam sequencialmente, mas sim à forma como as redes de genes trabalham em conjunto”, afirmou Daniel Weinberger, diretor do Instituto Lieber para o Desenvolvimento Cerebral.

Os investigadores sugerem que a compreensão destes programas genéticos coordenados pode aproximar os profissionais da “psiquiatria de precisão”, com tratamentos que podem ser personalizados para o perfil biológico específico de cada indivíduo.

Lusa

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