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Imagem de Doenças que mais afetam as mães no trabalho
Sociedade 30 jun, 2021, 11:57

Doenças que mais afetam as mães no trabalho

Um estudo do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, que envolveu mais de 4.000 mães, concluiu que as doenças musculoesqueléticas e do foro mental são os problemas de saúde relacionados com o trabalho que mais as afetam.

Em comunicado, o Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) explica hoje que o estudo tinha como objetivo avaliar “a prevalência de lesões e de problemas de saúde relacionados com o trabalho” numa amostra de mães.

Nesse sentido, foram estudadas mais de 4.000 mulheres da coorte Geração XXI, um estudo longitudinal do instituto que, desde 2005, acompanha cerca de 8.600 participantes que nasceram nas maternidades públicas da Área Metropolitana do Porto e as suas mães.

Os investigadores analisaram as características do trabalho destas mulheres, bem como aspetos individuais como “o estado civil, rendimento do agregado familiar e o índice de massa corporal”.

“Caracterizou-se o tipo de lesões que estas mulheres sofreram devido a acidentes laborais e os problemas de saúde relacionados com o trabalho que tiveram, desde o início da sua atividade profissional, a partir de um questionário”, esclarece o instituto.

As conclusões agora apresentadas resultam de dois estudos levados a cabo por investigadores do ISPUP, sendo que um concluiu que “as doenças musculoesqueléticas e do foro mental são os problemas de saúde relacionados com o trabalho que mais afetam as mães”.

Publicada na revista WORK: A Journal of Prevention Assessment & Rehabilitation, a investigação constatou que 31,5% das mães teve “pelo menos um problema de saúde relacionado com o trabalho desde o início da sua atividade profissional”.

As doenças musculoesqueléticas (problemas de costas, membros superiores e pescoço e membros inferiores) foram os problemas de saúde mais reportados, nomeadamente por cerca de 40% das mulheres.

“As mulheres com estes problemas de saúde estão ligadas a profissões mais manuais e exigentes fisicamente e reportam também mais acidentes no trabalho”, salienta o ISPUP, acrescentando que estas mulheres têm uma escolaridade mais baixa, um índice de massa corporal mais alto e são fumadoras.

Paralelamente, também as patologias do foro psicológico como o stress, a depressão e a ansiedade foram reportadas como “muito comuns” (38,2% das mulheres).

“As mulheres mais afetadas por este grupo de problemas têm escolaridade mais alta, rendimentos mais elevados e trabalhos menos manuais, com cargos de maior responsabilidade e chefia”, afirma, acrescentando que as doenças do foro psicológico afetam 21,3% das mulheres da Geração XXI.

Por sua vez, a investigação, publicada na revista International Journal of Occupational Safety and Ergonomics, concluiu que quase 22% das mães tiveram, pelo menos, uma lesão resultante de um acidente de trabalho ao longo da sua atividade profissional e quase 10% tiveram mais do que um dano ao longo da vida.

De acordo com o estudo, “5% teve uma lesão nos últimos 12 meses”, sendo os danos mais frequentes “feridas e lesões superficiais, seguidas de luxações, entorses e distensões”.

“As mulheres com profissões tipicamente mais manuais, como sejam as trabalhadoras da agricultura, da pesca, da indústria, artífices, operadoras de máquinas e de trabalhos não qualificados, foram as que mais sofreram lesões em contexto laboral”, refere.

Citada no comunicado, a investigadora Joana Amaro salienta ser importante “abordar as consequências das lesões e das doenças relacionadas com o trabalho numa perspetiva mais ampla, considerando o impacto que estas têm na família e na sociedade”.

“Percebemos, através destes estudos, que a maior probabilidade de lesões e a maior prevalência de problemas de saúde ocupacionais ocorre em mães com menor escolaridade, com profissões mais indiferenciadas, e que vivem com um companheiro que partilha também um risco elevado de lesão por acidente de trabalho ou de desenvolver um problema de saúde relacionado com o trabalho”, salienta a investigadora.

C/Lusa 

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