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Cancros da mama e colorretal entre os mais frequentes em 2020
Foto: DR
Sociedade 15 jan, 2024, 10:24

Cancros da mama e colorretal entre os mais frequentes em 2020

Os cancros da mama, colorretal, próstata e pulmão foram os mais frequentes em 2020, sendo que, seguindo o padrão habitual, nas mulheres prevaleceu o da mama e nos homens o da próstata, refere o Registo Oncológico Nacional (RON) hoje divulgado.

“Não se esperavam muitas variações nos tipos de cancro mais frequentes face aos anos anteriores. Estes dados vão ao encontro do padrão habitual. O que sobressai neste RON é o número total de novos casos que é inferior ao previsto, algo que reflete o impacto da pandemia da covid-19”, disse à agência Lusa a coordenadora do RON, Maria José Bento.

Em 2020 foram registados, em Portugal, mais de 52 mil novos casos, menos 9% do que em 2019.

O cancro da mama sobressai com 7.504 novos casos, seguindo-se o do colorretal com 6.680. Foram registados 5.776 novos casos de cancro da próstata e 4.737 de cancro do pulmão.

Nas mulheres o cancro mais frequente é o da mama (7.425), seguindo-se o colorretal (2.757) e o da pele não-melanoma (1.625).

Os novos casos em homens têm mais expressão na próstata (5.776), colorretal (3.923) e pulmão (3.289).

Em Portugal, o cancro é a segunda causa de morte, responsável por mais de 28 mil mortes anuais, tendo em 2020 sido responsável por 23% de todas as mortes.

Ainda de acordo com o RON 2020, o cancro do pulmão foi responsável por 15,4% das mortes por cancro.

O cancro colorretal provocou 13,3% das mortes por cancro, enquanto o cancro do estômago causou 7,9% das mortes.

Na mulher, o cancro da mama (16,1%) foi o principal responsável pela mortalidade por cancro, enquanto no homem, foi o cancro do pulmão (19,4%).

Ao da mama, nas mulheres, seguiu-se o cancro do colorretal (13,4%) e o do pulmão (9,7%) como principais responsáveis pela mortalidade por cancro.

Nos homens, a seguir ao pulmão, o cancro que provocou mais mortes em 2020 foi o do colorretal (13,2%) e o da próstata (11,3%).

O RON é um registo que assenta numa plataforma única eletrónica, que tem por finalidade a recolha e a análise de dados de todos os doentes oncológicos diagnosticados e ou tratados em Portugal continental e nas regiões autónomas.

Este registo inclui todos os tumores na população residente em Portugal e permite a monitorização da atividade realizada pelas instituições, da efetividade dos rastreios organizados e da efetividade terapêutica, a vigilância epidemiológica, a investigação e, em articulação com o Infarmed, a monitorização da efetividade de medicamentos e dispositivos médicos.

Salvaguardando que estão a ser cumpridos os prazos legais, a coordenadora explicou à Lusa o porquê de estarem agora, em 2024, a serem conhecidos os dados de 2020, apontando para a necessidade de “maturar” uma informação que “é muito complexa”.

“O RON é alimentado de informação de todos os hospitais públicos e privados. Há um tempo da própria patologia que demora. O diagnóstico nem sempre é muito imediato e depois seguem-se os tratamentos. É muita informação com um certo grau de complexidade e é preciso muito cuidado na forma como é registada”, referiu.

Maria José Bento, que é também diretora do serviço de Epidemiologia do Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto, frisou que “a informação sobre a incidência de cancro a nível nacional tem de ser disponibilizada a cada três anos em relação à data de diagnóstico da patologia”.

“E esse prazo está a ser cumprido”, disse, acrescentando a convicção de que este intervalo de tempo “é importante para depurar a informação”.

“Estes prazos estão bem definidos. Seria difícil fazer isto mais depressa e não tem muito interesse até. A doença oncológica não tem surtos nem picos. Tem vindo a aumentar, mas é relativamente estável”, concluiu.

A especialista aproveitou para deixar apelos quer à população, quer aos decisores políticos.

“Adotem estilos de vida saudável como não fumar, fazer exercício, recorrer ao médico de família com frequência, aderir aos rastreios. E os rastreios devem ser incentivados e a organização deve ser extensível a todo o país. Ainda há diferenças territoriais de cobertura e organização e isso não faz sentido”, concluiu.

 

Lusa

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