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Cancro colorretal mata 4 mil portugueses por ano
Sociedade 10 fev, 2018, 16:12

Cancro colorretal mata 4 mil portugueses por ano

De acordo com o presidente da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia, a mortalidade associada ao cancro colorretal não para de aumentar em Portugal

O presidente da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia (SPG), Luís Tomé, defendeu esta semana uma discussão aberta sobre o melhor método de prevenir o tumor colorretal, que mata anualmente cerca de 4.000 pessoas em Portugal.

"As pessoas não se apercebem da dimensão da questão, mas é uma coisa verdadeiramente brutal. Estamos perante um problema em que há uma mortalidade oito vezes superior àquela que acontece como consequência dos acidentes de viação", disse o especialista à agência Lusa.

Segundo Luís Tomé a mortalidade associada ao cancro colorretal não para de aumentar em Portugal, enquanto outros países já conseguiram inverter essa tendência.

Os cancros do intestino grosso são possíveis de prevenir "porque os tumores desenvolvem-se quase sempre em cima de pólipos, que quando crescem de uma certa maneira transformam-se em estruturas malignas".

"Quando encontrarmos os pólipos [através da colonoscopia] e os removermos, evitamos que se desenvolvam tumores nos intestinos", sublinhou Luís Tomé, defendendo que todas as pessoas a partir dos 50 anos deviam realizar uma colonoscopia.

O presidente da SPG salienta que, nos países desenvolvidos, "verifica-se que o número de doentes que morrem com problemas do intestino grosso têm vindo a diminuir, porque eles encontram os pólipos e removem-nos", ao contrário do que acontece em Portugal, em que tem crescido.

De acordo com o especialista, de 2008 para 2014 houve mais 500 casos mortais em Portugal.

"A Direção-Geral de Saúde tentou implementar um sistema em que tentam encontrar as pessoas que têm pólipos, pesquisando o sangue oculto nas fezes, mas essa pesquisa é pouco sensível para detetar os pólipos, sendo mais sensível para detetar os tumores", disse.

Para Luís Tomé, o método que está a ser seguido "não é propriamente rigoroso", dando o exemplo dos Estados Unidos da América e também de países europeus, em que a prevenção assenta exclusivamente em colonoscopias, que permitam a remoção dos pólipos durante o exame.

Enquanto uma colonoscopia deve ser realizada de 10 em 10 anos, os testes de sangue oculto nas fezes tem de ser realizado todos os anos e a "experiência mostra-nos que as pessoas perdem a paciência e deixam de o fazer".

Por outro lado, referiu, o sangue oculto "deteta mais tumores do que pólipos e o que se quer é encontrar pólipos antes de se transformarem em tumores, que é o que está a matar".

"Neste momento, as pessoas já estão mais sensibilizadas e já se realizam mais de 300 mil colonoscopias anuais em Portugal, pelo que estamos a começar a caminhar para um bom caminho", enfatizou Luís Tomé.

LUSA

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