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Campanhas de arborização são normalmente a pior das opções
Sociedade 26 ago, 2024, 16:25

Campanhas de arborização são normalmente a pior das opções

O especialista em engenharia florestal Joaquim Sande Silva defendeu hoje que, após o incêndio na ilha da Madeira, se deve esperar pela regeneração do sistema na primavera, alertando que as campanhas de arborização são normalmente a "pior das opções".

“Eu não sou das pessoas apologistas de, depois de um incêndio, começar campanhas de arborização, que é aquilo que normalmente os governantes gostam de anunciar. Aquilo que há a fazer é tentar perceber como é que o sistema regenera”, afirmou, em declarações à agência Lusa, a propósito do fogo que deflagrou na ilha da Madeira em 14 de agosto.

O investigador e professor na Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Coimbra alertou que o recurso à plantação de árvores após um incêndio é, normalmente, a “pior das opções”.

“Temos de ver como é que o sistema reage no médio prazo. No mínimo, esperar até à próxima primavera antes de fazer alguma coisa. E, normalmente, o recurso a arborizações é a pior das opções. É a forma de o poder político mostrar que está a fazer alguma coisa”, reforçou.

Joaquim Sande Silva justificou com o facto de ser comum nas campanhas de arborização as plantas utilizadas “não serem adequadas aos locais” ou “serem compradas a fornecedores” do exterior, o que provoca “problemas de instalação” no terreno.

“Tudo isto, no final, resulta normalmente em grandes taxas de insucesso. É basicamente dinheiro deitado à rua. (…) Muitas vezes a natureza faz melhor do que o homem. Consegue revestir o terreno de forma mais eficaz e com espécies mais adequadas”, salientou.

O especialista, que fez parte das duas comissões técnicas independentes para os incêndios de Pedrogão e de 15 de outubro de 2017, avisou para a probabilidade de existir uma “regeneração das espécies invasoras”, uma vez que o incêndio poderá ter “estimulado a dispersão de sementes do eucalipto”.

“A Madeira tem um problema com várias espécies invasoras, nomeadamente uma espécie que pouca gente reputa de invasora, mas que o é, de facto, que é o eucalipto, que se tem estado a expandir devido aos incêndios passados”, exemplificou.

O investigador lembrou também as características orográficas da Madeira para defender obras de estabilização de emergência nos solos e evitar derrocadas no inverno.

“A forma de prevenir que haja problemas durante épocas de chuva é fazer obras de estabilização de emergência, que, como o nome indica, são de emergência. Só serão úteis se forem feitas antes das grandes chuvadas”, assinalou.

 

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