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Imagem de Autointitulado `Príncipe do ilhéu da Pontinha` detido por se opor a processo de execução
Sociedade 25 set, 2017, 17:32

Autointitulado `Príncipe do ilhéu da Pontinha` detido por se opor a processo de execução

O autointitulado 'príncipe do ilhéu da Pontinha', Renato Barros, afirmou hoje que, na base da sua detenção, esta manhã, está um processo de execução relacionado com um alegado contrato "que envolve 200 mil euros".

"Tudo se resume a um processo em tribunal, onde um casal diz que celebrei um contrato mútuo no valor de 220 mil euros, mas eu nunca cheguei a receber esse dinheiro e o que eles queriam eram ficar com o forte", explicou à Lusa, Renato Barros.

O professor de Educação Visual não se alongou muito nas explicações, afirmando que o processo decorre no tribunal.

"O contrato nunca foi celebrado porque me era exigido um seguro de vida e eu tenho uma incapacidade de mais de 60%, o que não me permitia", disse.

Renato Barros explicou ainda que se opôs hoje a uma agente de execução por considerar que "eles só queriam ficar com o forte".

Por se ter oposto, Renato Barros foi detido e levado para o comando para ser identificado.

"A GNR foi dar apoio a uma diligência processual para proceder ao encerramento das instalações [no ilhéu] e a detenção dá-se no momento em que o senhor Renato Barros se opôs à decisão", disse o porta-voz do comando territorial da Madeira, Marco Nunes.

Entretanto, Renato Barros já saiu em liberdade.

A história do ‘principado da Pontinha’ remonta a agosto de 1903, quando o rei de Portugal, D. Carlos I, procedeu, mediante Carta Régia, à venda em hasta pública do Forte de São José, localizado num pequeno ilhéu junto ao porto do Funchal.

Quase cem anos depois, em outubro de 2000, o imóvel foi adquirido por Renato Barros, sem este saber inicialmente que a Carta Régia documentava não só a venda da propriedade, como também o domínio do ilhéu.

Foi assim que o professor decidiu autodenominar-se ‘príncipe do ilhéu da Pontinha’.

O ‘principado’ teve já alguns episódios marcantes, como, por exemplo, em fevereiro de 2017, quando José Manuel Coelho, deputado eleito à Assembleia Legislativa Regional, foi pedir "asilo político" ao autoproclamado príncipe, para fugir à prisão de um ano a que tinha sido sentenciado.

"Vim fugido da República Portuguesa porque me querem prender aos fins de semana", declarou na altura José Manuel Coelho numa chegada encenada àquele rochedo que o proprietário Renato Barros autoproclamou independente, acrescentando: "A República Portuguesa pode roubar-me o salário e tudo o que tenho, mas não me pode roubar o sentido de humor e o desejo de liberdade".

Na altura, o deputado regional também exibiu um suposto bilhete de identidade "emitido e assinado pelo príncipe Renato I".

LUSA

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