Em entrevista à Lusa, no fim do seu segundo mandato à frente da CEP, José Ornelas considerou que “dizer que em nome de Deus, que se vai fazer uma luta de perseguição e de exclusão” está errado, propondo um discurso de agregação de quem é diferente numa sociedade democrática.
“Eu não concordo contigo, mas concordo que tu tenhas o direito de exprimir que não concordas comigo”, resumiu o bispo de Leiria-Fátima, que contestou o uso da religião para promover guerras ou perseguir outras pessoas.
“Radicalmente isso não é ser católico, eu não posso usar a Igreja para fazer um discurso de ódio, um discurso da exclusão, um discurso de monolitismo de que eu é que tenho razão e todos os outros estão errados”, disse, propondo um “caminho de agregação e caminho comum”.
Ornelas recordou que “Jesus atuou fora da caixa dentro da religiosidade do tempo” e “qualquer que seja um discurso que, em nome de Deus, faça discriminação de pessoas” está “errado”.
Muitos políticos que se dizem católicos depois promovem discursos de ódio e “completas aberrações sobre a racionalidade da fé”.
“A Igreja foi perseguida e continua a ser perseguida em várias partes do mundo precisamente por isso, por ser um território que apela aos valores da humanidade, aos valores fundamentais” e hoje ouve-se “um discurso de responsáveis políticos que deveriam estar nas barras do Tribunal de Nuremberga”, porque o que “propõem está completamente fora daquilo que é a razão, a racionalidade do ser humano e da fé” cristã.
“Temos de colaborar na construção de um mundo aceitável para todos e para isso a justiça e o direito são fundamentais” e a “corrupção política, por detrás, começa por ser uma corrupção económica”, acusou José Ornelas, considerando que “não é por acaso que estas guerras acontecem nos países que têm petróleo”.
“Deus é muito paciente connosco, mas isto não é propriamente o caminho do Evangelho”, acrescentou.
Lusa