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Se a União Europeia “não estiver à mesa, vai estar no menu”
Foto: Reuters
Política 11 abr, 2026, 17:43

Se a União Europeia “não estiver à mesa, vai estar no menu”

A União Europeia arrisca ser marginalizada numa ordem mundial em rápida transformação, a menos que se afirme de forma mais vigorosa, alertaram hoje analistas chineses numa conferência em Macau que debateu as relações China-UE.

Li Xing, professor de desenvolvimento e relações internacionais na Universidade de Aalborg afirmou que a UE está “cada vez mais excluída” das grandes negociações entre potências, sublinhado que, “quando Trump fala diretamente com Putin sem a UE, a Europa fica de fora” e, “se a Europa não trabalhar arduamente, estará no menu, não à mesa”.

O académico chinês descreveu o momento atual como de “hegemonia entrelaçada”, em que nem o Ocidente nem a China conseguem dominar plenamente as estruturas globais.

Para o académico, o mundo caminha para uma “multi-ordem”, que se configura como um mosaico de instituições e iniciativas sobrepostas, desde a Nova Rota da Seda chinesa aos BRICS e a novos bancos de desenvolvimento.

“A China não pode substituir a hegemonia ocidental, mas a hegemonia ocidental também não se consegue sustentar”, prosseguiu.

Yu Hongyuan, também orador na conferência subordinada ao tema “Relações entre a China-UE em tempos turbulentos”, organizada pelo Instituto de Estudo Europeus de Macau, sugeriu que a Europa e a China poderiam formar uma parceria estabilizadora.

“A China e a UE podem uma alternativa — um novo G2”, defendeu o professor associado no Instituto de Estudos Internacionais de Xangai, recordando reformas nos anos 1970, quando instituições internacionais se adaptaram sem a liderança norte-americana. “Podemos fazê-lo novamente”, disse.

Li destacou, no entanto, que a guerra na Ucrânia tem sido um obstáculo crítico nas relações China-UE, pois “a Europa diz que a China está por detrás da Rússia, que é a sua inimiga. Isso cria um impasse”, sustentou, apontando para a tensão nos diálogos estratégicos com Pequim.

O académico lembrou as declarações do ministro chinês dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, em Bruxelas no ano passado, segundo as quais “a China não pode tolerar que a Rússia perca a guerra”, e que o posicionamento “neutral” de Pequim no que toca à guerra na Ucrânia foi considerado como apoio tácito à Rússia.

“Se analisarmos a atual guerra no Médio Oriente, verificamos que a China teve sorte ao tomar a decisão acertada de se aliar à Rússia, pois agora está a consumir cada vez mais petróleo russo”, disse o analista.

A recente guerra entre o Irão, os Estados Unidos e Israel desencadeou uma das mais graves crises energéticas das últimas décadas, com o fecho do Estreito de Ormuz a perturbar os fornecimentos globais de petróleo e gás.

Yu alertou para um crescente “uso de recursos energéticos como uma arma” por parte de várias potências, o que causa distúrbios e riscos “sem precedentes” à economia e ordem mundial.

“O petróleo é o sangue de toda a indústria”, disse Yu, sublinhando que ataques a campos petrolíferos na Rússia ou no Médio Oriente poderiam paralisar dois terços da produção mundial. “Isto é muito mais grave do que a Guerra Fria”, acrescentou, sublinhando que a globalização tornou as economias mais vulneráveis a choques.

Para Yu, o uso da energia como arma política, algo que, segundo reforçou, “mesmo a União Soviética evitava” durante a Guerra Fria, é hoje uma realidade que ameaça o sistema económico global.

Lusa

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