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Imagem de “Reformismo de boca têm muitos, reformismo de ação não é para todos”
Foto: Lusa
Política 11 mar, 2026, 14:38

“Reformismo de boca têm muitos, reformismo de ação não é para todos”

O presidente do PSD e primeiro-ministro afirmou hoje que “reformismo de boca têm muitos, mas reformismo de ação não é para todos”, dizendo que até dentro do PSD e do Governo há, por vezes, dificuldade em entender as mudanças.

Luís Montenegro falava no encerramento das jornadas parlamentares do PSD, que decorreram em Caminha (distrito de Viana do Castelo), sob o lema “Portugal Resiliência e Ambição”.

Numa intervenção de mais de 40 minutos, o líder social-democrata centrou-se sobretudo nas propostas de alteração à lei laboral que o Governo pretende fazer, mas defendeu a ação do executivo noutras áreas para tirar uma conclusão “numa altura em que se fala muito de reformismo”.

“Reformismo de boca têm muitos, mas reformismo da ação, de crescimento, de ambição e de transformação não é para todos”, disse.

Dando o exemplo mais recente da intenção do Governo de criar urgências de obstetrícia regionais na Margem Sul, o primeiro-ministro lamentou que, sempre que se tenta mudar alguma coisa, “levantam-se sempre todas as vozes da oposição, aquelas que reclamam a mudança, a dizer que está tudo mal”.

“Eu vejo nas oposições e nas corporações muita reivindicação de mudança e muito pouca coragem para mudar (…) Nós temos de facto um país que precisa de coragem, coragem para mexer, coragem para mudar, coragem para transformar. Não somos donos da verdade, nem da razão, não digo que façamos tudo bem, mas há uma coisa que não nos vão acusar: é de deixar de fazer”, assegurou.

Numa altura em que o antigo primeiro-ministro do PSD Pedro Passos Coelho tem desafiado publicamente o atual Governo a fazer reformas, Montenegro admitiu que até dentro do partido e do executivo se encontram resistências às mudanças.

“Porque temos os nossos eleitores à perna, porque temos os nossos amigos à perna, porque temos até alguns familiares à perna – à perna no sentido de defenderem as suas ideias, de defenderem as suas visões, porque há muita gente que quer, desde que não seja consigo”, disse.

Montenegro disse que até pode compreender e respeitar essas resistências, mas assegurou que tal não irá impedir o Governo de agir.

“Nós compreendemos, nós percebemos, nós respeitamos, mas nós governamos”, afirmou.

Num balanço de quase dois anos de governação – o primeiro executivo PSD/CDS-PP tomou posse a 02 de abril de 2024 – , Montenegro defendeu a capacidade de diálogo do Governo, lamentando que seja “tantas vezes atacada, tantas vezes até ofendida com palavras fortes como arrogância, como prepotência”.

“Isto é tudo muito descabido, porque se há nota dominante que tem ficado no debate político e também parlamentar, é uma competição enorme entre o segundo e o terceiro partido com maior representação parlamentar, ou seja, os dois maiores partidos da oposição, em quererem ser cada um deles o mais próximo, o mais dialogante com o Governo e com os seus grupos parlamentares”, disse, referindo-se a PS e Chega.

Montenegro assegurou que, da parte do Governo e dos partidos que suportam a maioria, se manterá o “desejo de acordar com todos”.

“Quando essa possibilidade, por razões atendíveis de posicionamento político dos outros, dos partidos da oposição, não é possível com todos, nós temos ainda assim conseguido chegar a acordo, umas vezes com um lado, outras vezes com o outro. Aquilo que nos criticam é, portanto, o reconhecimento da nossa capacidade de diálogo”, concluiu.

Lusa

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