Numa sessão destinada a assinalar a efeméride, promovida pelo Grupo Parlamentar de Amizade Portugal-Palestina, realizada na Sala do Senado da Assembleia da República Portuguesa, Almiro Moreira (PSD), Isabel Moreira (PS), Rui Tavares (Livre), Paula Santos (PCP) e Fabian de Figueiredo (BE) lembraram o sofrimento do povo palestiniano, obrigado então a deixar as suas casas e terras no contexto da criação do Estado de Israel e da primeira guerra israelo-árabe.
Na presença da embaixadora da Palestina em Lisboa, Rawan Sulaiman, e do presidente do grupo parlamentar de amizade, Jorge Pinto, os cinco deputados foram unânimes em lamentar um conflito que não respeita o direito internacional e que já provocou “centenas de milhares de mortos”.
“É um dia difícil. São 78 anos, não de uma data, mas de um processo que dura há 78 anos. Um poeta palestiniano, um amigo dos nossos pensamentos, Mahmoud Darwich, escreveu de forma muito feliz que na Palestina tudo resiste”, afirmou Fabian de Figueiredo, ao abrir as intervenções dos deputados, já depois de Sulaiman e Jorge Pinto terem discursado.
“E é por isso que apesar de 78 anos de ocupação, de destruição, de guerra, de prisão, de violação, de genocídio, a Palestina vive. Os palestinianos sabem melhor do que qualquer outro povo o que é o direito internacional. E há 78 anos que a Palestina não sabe o que é o direito internacional. Não o sabem os pescadores de Gaza. Não o sabem os trabalhadores que têm as suas pequenas propriedades com oliveiras na Cisjordânia. Não o sabem os comerciantes de Belém. Não o sabem os sopradores de vidro de Hebron. Tudo na Palestina é um ato de resistência”, acrescentou.
Paula Santos lembrou a “catástrofe da limpeza étnica do povo palestiniano”, que levou à “expulsão de centenas de milhar de palestinianos das suas casas, aldeias, bairros, suas terras”.
“A ‘Nakba’ infelizmente continua, porque hoje são mais de seis milhões de refugiados e deslocados à força. Os crimes de Israel em Gaza continuam e é inaceitável a forma como passam impunes perante a comunidade internacional, tal como o genocídio, a ocupação e a colonização”, sublinhou a deputada comunista.
Segundo Paula Santos, mais de 820 mil palestinianos morreram só desde a entrada em vigor do cessar-fogo, “que é constantemente violado, incluindo mais de 300 crianças, mulheres e idosos”.
“Continua o cruel bloqueio imposto por Israel à faixa de Gaza, privando a população do acesso a bens essenciais, alimentos, água potável, medicamentos. É profundamente desumano. […] Não podemos ficar indiferentes ao que está a acontecer na Palestina, não podemos ficar indiferentes ao genocídio do povo palestiniano às mãos de Israel. Eu creio que não há palavras para descrever a dignidade e a coragem com que o povo palestiniano todos os dias resiste”, frisou.
Almiro Moreira, por seu lado, deixou a garantia do compromisso do Grupo Parlamentar de Amizade com a paz, lembrando que Portugal, a 21 de setembro de 2025, reconheceu a Palestina como Estado, num quadro de uma posição que deve continuar a ser clara, da defesa dos dois Estados, de uma paz justa e duradoura, de um cessar-fogo, da libertação dos reféns, da ajuda humanitária e da rejeição de todas as formas de violência contra civis”.
Isabel Moreira, além de condenar o conflito e lamentar as mortes, destacou o “espírito único” da embaixadora da Palestina em Lisboa, “uma mulher descendente da ‘Nakba’, uma refugiada descendente da ‘Nakba’”, que “tem no seu corpo a tragédia”.
“E também carrega no seu corpo e na forma de estar e na forma como comunica connosco e quem já a conhece, essa resistência dos palestinianos. Sorri, continua, tem alegria, tem um sofrimento muito grande, mas tem um espírito de combate, um espírito de resistência”, frisou a deputada socialista.
Já Rui Tavares realçou a necessidade de não se deixar de falar da Palestina, aproveitando essas mesmas palavras proferidas numa breve intervenção, através de um vídeo, da realizadora do documentário “Aida Returns”, Carol Mansour, para contrapor à “impenitência dos ataques e a soberba arrogância de quem os subscreve”.
“É essa obrigação moral de não parar de falar sobre a Palestina que deve pesar sobre nós. E, apesar de tudo, sabermos que vale sempre a pena continuar a falar sobre a Palestina. Nunca deixaremos de falar da Palestina, de dizer as palavras que importam, de falar da sua autodeterminação de falar do genocídio que impende sobre o povo palestiniano”, concluiu.
Lusa