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Passos não exclui regresso e se acontecer “não será pelas melhores razões”
Foto: Lusa
Política 28 fev, 2026, 20:59

Passos não exclui regresso e se acontecer “não será pelas melhores razões”

O antigo primeiro-ministro do PSD Pedro Passos Coelho afirmou hoje que “nunca se achou um inútil para a política" e rejeitou excluir um eventual regresso, realçando que se tal acontecer "não será pelas melhores razões".

Na conferência que assinalou o 5.º aniversário do Instituto “+Liberdade”, no Museu do Oriente, em Lisboa, Pedro Passos Coelho recuou oito anos, altura em que saiu da liderança do PSD, após ter sido questionado por uma participante na plateia sobre o seu futuro político.

“Não me achei um inútil para a política. E, portanto, nunca disse que nunca mais voltaria a fazer política, porque achei que era absolutamente ridículo estar a comprometer o meu futuro com uma máxima para descansar toda a gente: “Não, os senhores durmam descansados, nunca mais”. Acho absolutamente desnecessário fazer declarações dessa natureza”, defendeu.

Passos Coelho realçou que tem dito que acha “pouco provável que venha a desempenhar uma função tão ativa” como aquela que teve quando foi chefe de executivo entre 2011 e 2015, salientando que “se isso algum dia se vier a equacionar, não há de ser, seguramente, pelas melhores das razões”.

“Porque se tudo correr bem e as coisas correrem de modo que o país esteja satisfeito e o PSD, que está no Governo, esteja satisfeito com o seu desempenho, por que razão é que agora hão de ir ao baú da história”, questionou.

Um dia depois de ter negado estar de volta à política ativa, Passos disse não saber “se algum dia voltaria a ser preciso ou não” ou se seria a “pessoa indicada”, rejeitando especular, uma vez que não sabe quais serão as circunstâncias.

O antigo governante insistiu, contudo, que “não está a preparar nenhuma candidatura”.

“Nem sei quando é que há eleições lá no meu partido. Há de haver um dia destes, daqui a dois anos. E, portanto, essa não é uma questão com que eu esteja a ocupar o meu pensamento”, acrescentou.

Sobre o seu afastamento da vida política, em 2017, Passos explicou que decidiu não se recandidatar à liderança do PSD “em grande parte” porque achou que a solução de governo encontrada – liderada pelo PS e apoiada no parlamento por PCP, BE e PEV, a “geringonça” – não era do seu agrado e era “politicamente mais barata” pelo facto de estar a liderar os sociais-democratas.

“Portanto, achei que era importante que uma solução que não achava que fosse desejável pagasse o preço político do apoio que tinha. Sem o espantalho do regresso do Passos Coelho para unir o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista. Pareceu, em certa medida, que valeu a pena”, afirmou.

Em segundo lugar, o social-democrata considerou que se transformou, na altura, num “fator limitativo do crescimento do PSD”, ainda que não tivesse “nenhum problema” com o seu desempenho no Governo.

“Achei, no entanto, que era preciso dar a oportunidade de mudar a conversa da conversa da ‘troika’. E, portanto, achei que devia libertar o PSD dessa conversa. E o PSD libertou-se razoavelmente dessa conversa. Tanto que hoje se sente perfeitamente, ou quase tão perfeitamente, distante já desse tempo quanto a generalidade dos outros partidos. E talvez isso seja positivo”, defendeu.

Lusa

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