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Política 15 fev, 2018, 13:02

Miguel Albuquerque afirma que o défice da Madeira podia ser mais baixo se António Costa quisesse

O Presidente do Governo Regional da Madeira diz que declaração do Primeiro-ministro sobre défice da Madeira foi "lamentável" (Vídeo)

O presidente do Governo da Madeira classificou hoje de “lamentável” as declarações do primeiro-ministro sobre a “desagradável surpresa” do défice orçamental desta Região Autónoma.

“A Madeira tem as suas contas controladas como é do conhecimento de todos e a declaração do primeiro-ministro ontem [quarta-feira] é a todos os títulos lamentável”, disse Miguel Albuquerque aos jornalistas à margem da visita que efetuou hoje às obras de requalificação do Museu Vicentes.

Miguel Albuquerque sustentou que “este primeiro-ministro não cumpre aquilo que prometeu aos madeirenses e depois vem confundir duas coisas que ele sabe muito bem, e fê-lo deliberadamente, que é o défice em termos de contabilidade pública e aquilo que não é o défice em termos de contabilidade administrativa”.

O PS e o primeiro-ministro apontaram na quarta-feira a “desagradável surpresa” do défice orçamental da Região Autónoma da Madeira, “único governo do PSD que resta em Portugal”.

Já no final do debate quinzenal com o primeiro-ministro, na Assembleia da República, em Lisboa, o líder da bancada parlamentar socialista, Carlos César, apontou o facto de o défice da Madeira ser “sete vezes” mais alto do que o dos Açores, região governada pelo PS.

O responsável socialista disse que o PSD não devia “estar preocupado com os resultados e as contas” do Governo de António Costa, mas sim com “o único governo do PSD que resta em Portugal”, na Madeira.

Carlos César afirmou que esta região liderada pelo PSD, num governo presidido por Miguel Albuquerque “atingiu um défice de pelo menos sete vezes mais” do que o dos Açores, e deixa “faturas para pagar”.

Na resposta, António Costa reconheceu que existe essa “desagradável surpresa” do défice madeirense e que só não terá “consequências negativas” para o país devido ao bom comportamento da Região Autónoma dos Açores e das autarquias para o défice do Setor Público Administrativo.

O país, afirmou Costa, perante os sonoros protestos da bancada do PSD, “nada fica a dever” à Madeira no controlo do défice.

Hoje, o chefe do executivo madeirense considerou que este tipo de afirmações “não é nada que não estivesse à espera: Desde a primeira hora nós dissemos que a agenda deste primeiro-ministro não era resolver os problemas da Madeira e dos madeirenses, mas desenvolver uma agenda política de tomada de poder na região a qualquer preço”.

O líder regional sustentou que “o défice da Madeira é baixo”, acrescentando que “podia ser mais baixo se o Estado e a República não estivessem a lucrar 12 milhões de euros por ano ao cobrar juros mais baixos do que a República se financia”.

No seu entender, também “podia ser mais baixo se o primeiro-ministro e este Governo pagasse os 16 milhões de euros de dívida dos subsistemas que os contribuintes madeirenses continuam a financiar”, apontando que é o montante gasto nos projetos e expropriações para o novo hospital do arquipélago.

“O défice da Madeira é bastante baixo, mas podia ser mais baixo ainda se o Governo de António Costa pagasse os 33 milhões de euros de dívidas fiscais à Região Autónoma da Madeira”, vincou.

Miguel Albuquerque afirmou que existe “nitidamente uma pré-campanha eleitoral”.

“Mas penso que o primeiro-ministro não conhece muito bem os madeirenses. Se pensa que vai deitar poeira nos olhos dos madeirenses está muito enganado”, alertou.

Miguel Albuquerque concluiu que “o PSD tem a responsabilidades de ter feito o desenvolvimento na Madeira”, recordando que “quem levou o país à bancarrota não foi o PSD, foi um Governo do PS do qual este primeiro-ministro fazia parte”.

C/ LUSA

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